segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Que ciático!

A Skol traz uma novidade para o verão brasileiro: a garota do tempo Skol. Em parceria com a Climatempo você tem um serviço completo com todas as possibilidades de previsão no site www.skol.com.br/garota.
A novidade chega à TV num divertido comercial da F/Nazca com criação de Marcelo Nogueira e Bruno Oppido. A produção é da Cine e a direção de Clovis Mello.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Legítimo: filmado em solo escocês, com ator escocês falando sobre uísque escocês.

Num único plano de quase seis minutos, filmado com a RED e dirigido por Jamie Rafn, o ator Robert Carlyle conta a história de 200 anos de tradição da marca Johnnie Walker.
Um detalhe: o take usado no filme é o de número 40.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Publicidade lynchiana


Estranheza na área: a partir de 8 de dezembro, a Caixa Cultural vai passar em revista uma das filmografias mais sólidas do cinema americano na mostra "David Lynch - O lado sombrio da alma". Serão exibidas 40 produções assinadas pelo diretor de "Veludo azul", incluindo os 28 filmes publicitários que o cineasta pilotou entre 1988 e 2002. Alguns desses comerciais, selecionados pelo curador do evento, o crítico de cinema Mario Abbade, contam com a participação de estrelas como Benicio Del Toro, Gerard Depardieu, Heather Graham e os personagens do seriado "Twin Peaks", exibido aqui pela Rede GLOBO em 1991 e já disponível em DVD. Lynch utiliza seu estilo para vender produtos como jogos eletrônicos, perfumes, macarrão, café, programação de canais de TV a cabo e carros.
- Assistir a esses filmes publicitários é uma ótima opotunidade para o público conhecer um outro lado de David Lynch - diz Mario Abbade, curador da mostra. - O interessante é que ele não muda seu estilo, mesmo quando está vendendo um produto corriqueiro como café.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fred Coutinho: nada como visitar um país amigo.

O redator Fred Coutinho lembra de uma viagem a Foz do Iguaçu, com pinta de roteiro cinematográfico.

Lembrando agora parece um filme. Na hora também parecia. Talvez fosse um filme que aconteceu, um ensaio à procura de um roteiro, ou um laboratório onde atores levavam às últimas consequências o seu ofício. Enfim, eu acordei e estava em Foz do Iguaçu. Acontece nas melhores famílias: um dia você acorda e está em Foz do Iguaçu. Já acordei em lugares melhores e em lugares piores e pouco se me dá acordar aqui ou lá. Era vagamente isto que eu pensava enquanto descia para tomar café no hotel. A segunda coisa que pensei naquela manhã assim que entrei no saguão foi que meu nome era Fred, porque alguém insistentemente chamava: ei, Fred, Fred. Era um casal daqueles velhos tempos em que um casal era um homem e uma mulher. Olhei para eles e meu Google interno começou a girar, girar, girar e não tão logo os identifiquei como amigos de um primo do Rio de Janeiro. Estivera com eles uns tempos atrás na casa do primo. Era um casal simpático. Eles convidaram-me para tomar café, o que odiei imediatamente, mas aquiesci. Aquiescer logo pela manhã me deu uma espécie de mau humor que iria me acompanhar o resto do dia. Seja como for a conversa fluiu rápido e logo fizeram-me o segundo convite do dia e só pelo meu adiantado estado de confusão mental matutino pude aquiescer – novamente! O convite era para atravessar a ponte para o lado paraguaio da coisa e fazer compras por lá. Ainda tentei uma série de desculpas débeis e finalmente a moça, com o melhor dos sorrisos, disse-me com boa vontade – ora, Fred, vamos conhecer um país amigo! No que foi acompanhado pelo marido – é um país amigo, Fred, vamos fazer a política da boa vizinhança e visitar nossos amigos. Sugeri racharmos um táxi – enquanto pensava que diabos era aquilo de país amigo - mas no lugar do táxi, induziram-me a pegar um ônibus. Eu fazia mentalmente as contas e cheguei à conclusão de que pelo menos as próximas seis horas do meu primeiro dia em Foz do Iguaçu estavam irremediavelmente perdidas, então entrei em universo paralelo: metade de mim entrava em torpor e pensava em outra coisa e a metade restante pagava o ônibus, pegava o troco e conversava. Sentei do lado direito, na janela, o casal atrás de mim, e eu ia assim meio de lado, falando com eles. Que estavam animados por conhecer um país amigo.Então o ônibus entrou na ponte. E parou. Havia não sei o que lá na frente, perto do motorista, e de repente o ônibus deu um tranco e o motor morreu. Ouvi algo que poderia ser um grito misturado a frases que poderiam ser em guarani e ouvi alguém dizer que era um assalto e foi mesmo simples assim. Olhei para trás e um homem com um revólver na mão pegava carteiras, relógios e jóias daquelas pobres criaturas sentadas na parte traseira do ônibus. O homem pegou todo o dinheiro do trocador, passou a roleta, roubou o casal amigo, apontou a arma para mim, um revólver, dizendo alguma coisa como “passe-me, passe-me” e o seu revólver tremia e eu dizia “calma, calma” enquanto tentava tirar do bolso o dinheiro que eu tinha – que era todo o dinheiro que eu possuía em Foz do Iguaçu. Tão logo dei o dinheiro a ele, ganhando em troca a arma apontada em outra direção, minha atenção dirigiu-se a um paraguaio – estava escrito na testa dele, paraguaio – que vinha em direção ao homem de arma na mão que tinha acabado de me assaltar e ainda estava ao meu lado no corredor; este homem caminhava para o assaltante ao mesmo tempo em que tentava inutilmente tirar alguma coisa de uma capanga marrom – era marrom, lembro bem; enquanto isso o homem ao meu lado com a arma na mão falava nervosamente em guarani algo que eu traduzi como “não abre a capanga senão eu atiro”. As coisas aconteciam simultaneamente e era como um duelo no meio do corredor do ônibus; o homem tentando tirar algo de dentro da capanga versus o homem com a arma na mão falando que atiraria se o outro abrisse a capanga. Num determinado instante da cena, o assaltante sumiu do meu campo de visão; evidentemente dera dois passos para trás e agora deveria estar sendo barrado pela roleta, e continuava a falar guarani rapidamente. Quando o homem da capanga estava no corredor exatamente ao meu lado o outro disparou. O homem da capanga desabou sentado ao meu lado, enquanto o assaltante saiu correndo do ônibus acompanhado de outros dois, que estavam na parte da frente do veículo. Eles pularam a amurada e saíram correndo por uma espécie de várzea que havia quase nas margens do rio. O homem da capanga ao meu lado, com o braço esquerdo completamente ensangüentado – e neste momento senti o cheiro doce do sangue que me acompanharia ainda por meses – levantou, e com o braço direito abriu a janela do meu lado, enfiou a arma entre minha cara e o vão aberto e, a dois palmos de mim, descarregou seu revólver em direção aos três que corriam pela várzea lá embaixo, não acertando nenhum tiro. A coisa toda desde o começo era entremeada por silêncios e gritarias, e neste momento um homem lá na frente gritou que o motorista tinha sido esfaqueado - imediatamente o vi contorcido sobre o capô - e perguntava se alguém sabia dirigir o ônibus. Os passageiros olhavam uns para os outros esperando um motorista aparecer como por encanto e de fato um sujeito magrinho segurando uma pasta se apresentou para exercer aquela função. Ele basicamente passou por cima do motorista e assumiu seu posto na boléia e mal sabia ligar o ônibus. A camisa branca do motorista se empapava rapidamente de vermelho e o sujeito nem sabia colocar o motor em funcionamento. Finalmente alguém praticamente o retirou de lá e conseguiu ao menos ligar o veículo e, depois de arranhar terrivelmente a marcha, conseguiu engrenar a primeira e saiu, aos trancos e barrancos. Eu olhei para o homem da capanga ao meu lado, perguntei se estava bem; ele virou seu corpo para mim, apertou o lugar de onde brotava o sangue e me disse em espanhol - mira, acá está – mostrando-me o lugar exato onde a bala estava, e depois me dizendo – caliente, está caliente – sem gemer, sem gritar, e até com uma certa tranquilidade para quem tinha acabado de levar um tiro no braço. Lá na frente o novo motorista fazia o melhor que podia, eu creio, e íamos mais ou menos em linha reta pelo meio da ponte até o instante em que necessariamente teríamos que parar numa das várias cabines parecidas com cabines de pedágio, mostrar documentos, aquilo tudo que eu supunha fosse praxe na fronteira de países, mas nada disso aconteceu. Havia uma cabine livre pela qual passamos sem parar sob o olhar entorpecido de três ou quatro guardas, e assim aquele ônibus dirigido por um sujeito que não era seu motorista, carregando vinte passageiros assaltados, um homem esfaqueado e outro baleado, como uma expedição que retorna de uma viagem ao redor do mundo entrou gloriosamente no Paraguai.
O que me levou a pensar: nada como visitar um país amigo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Onde vive Spike Jonze?



Selvageria. Spike Jonze, que atualmente lota cinemas nos EUA com “Onde vivem os monstros” (“Where the wild things are”), aprendeu a dominá-la filmando publicidade. Basta ver seu anúncio para a GAP para compreender sua manha com a agressividade. Dizem que, na vida real, o diretor de “Quero ser John Malkovich” é um banana. São palavras de sua ex-mulher, a cineasta Sofia Coppola, que o retratou na figura de um fotógrafo moleirão em “Encontros e desencontros”. Bom, a intimidade é deles. Já o brilhantismo de Jonze em seu novo longa-metragem, cujo faturamento nos EUA já chegou a US$ 64 milhões, é um presente nosso. Confira a seguir o trailer da produção, que consumiu um orçamento de US$ 80 milhões. Trata-se de um dos filmes obrigatórios de 2009.
Produzido por Tom Hanks e embalado a muito pop e rock, “Onde vivem os monstros” é um diálogo personalíssimo de Jonze com o romance infanto-juvenil homônimo de Maurice Sendak, recém-lançado no Brasil pela Cosac Naify. Na telona, a partir do roteiro de Dave Eggers, o lirismo fabular do texto original vai, cena a cena, dando lugar a uma ode a melancolia. A tristeza esculpe o mundinho metade realista, metade onírico onde vive o pequeno Max (Max Records, o melhor ator mirim revelado desde Haley Joel Osment).
Max é um guri solitário, que vive mendigando afeto. Usa uma fantasia branca de animal, em trajes de traços lupinos, para chamar a atenção alheia com sua estranheza. Um dia, ao levar uma bronca da mãe (Catherine Keener, atriz-fetiche de Jonze), Max foge de casa e vai parar em uma terra imaginária, para a qual viaja em um barquinho capaz de resistir a tormentas. Nesse lugar encantado, existem monstros gigantes, com feições dignas de “Vila Sésamo”. O mais exótico desses seres atende pelo nome de Carol (o personagem é dublado em inglês pelo Soprano James Gandolfini). Carol é a mais forte das criaturas do reino mágico onde Max recebe toda a sorte de paparicos. O nome do monstro é uma espécie de metáfora: Carol é a encarnação da força vital da mãe de Max. Aos poucos, o menino vai conquistando essa força hercúlea para si, construindo um laço afetivo que arranca lágrimas e cria sequências de um refinamento cenográfico e fotográfico único.
O Jonze esteta de filmes comerciais se recria na telona, dez anos depois de sua consagração com “Quero ser John Malkovich”. É bom ficar atento para as próximas novidades desse realizador que é símbolo da pós-modernidade nos anos 2000.
"Onde vivem os monstros" estreia no Brasil só no dia 15 de janeiro.

Rodrigo Fonseca, um dos editores do Cinema Curto, assistiu em Nova York ao novo filme de Spike Jonze.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Celulares em comercial com cara de Matrix.

A MPM criou e produziu um comercial de 30" onde a vedete é mais uma vez o veterano Sebastian, eterno garoto propaganda da marca, que dança e se movimenta sobre celulares num cenário formado por milhares de aparelhos.
Clara inspiração na ousada e incensada gama de efeitos visuais e gráficos da trilogia Matrix dos irmãos Wachowsky. Só que a tonalidade verde do longa foi trocada por um elegante preto e branco no comercial dirigido pelo inventivo Jarbas Agnelli da Ad Studio, responsável também, pela produção da trilha sonora.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Maritza Caneca: filmando comerciais com olhar feminino.

Maritza e Nelson no set de "A luz do Tom"

Terra de machos, a fotografia publicitária se abriu para a delicadeza de Maritza Caneca. Assistente de alguns dos maiores diretores de fotografia do país, como Affonso Beato, Pedro Farkas, Walter Carvalho, Lauro Escorel e José Tadeu Ribeiro, Maritza já clicou dezenas de comerciais, além de ter fotografado curtas-metragens e ter trabalhado em longas de realizadores consagrados como Nelson Pereira dos Santos e Walter Lima Jr. Na entrevista a seguir, ela conta para o CINEMA CURTO como deixou o preconceito em segundo plano, apontando seu foco para a invenção.

Visualmente, até que ponto a ousadia é permitida na publicidade brasileira? Em que comerciais você ousou?
Acho que a ousadia da publicidade está relacionada à sofisticação do nosso olhar, às novas tecnologias onde podemos testar novas câmeras e procurar novos looks.
Acho que o filme do ZTE que fiz para Portugal tem essa estética do look internacional, cada filme tem o seu perfil. Acabei de fazer um clip no Morro da Providência da banda DUGUETTO – “Questão de que" no qual pude, com a estética da publicidade e a sensibilidade do olhar, sofisticar o visual do clip.

A tua experiência em cinema, que inclui colaborações com mestres como Walter Lima Jr., é marcada por passagens por produções internacionais como "Luar sobre Parador" e "O incrível Hulk". Como você avalia o interesse estrangeiro em investir em equipes brasileiras? Como foi a sua experiência com Louis Leterrier no filme do Golias verde?
Concordo quando você diz que o Walter Lima é um mestre, quando assistente sempre tive muita vontade de filmar com ele , mas não aconteceu! Quando o Pedro Farkas me indicou para fazer a segunda unidade de "Desafinados" fiquei muito feliz e honrada, foi uma experiência muito boa conviver com ele e escutar suas historias.
Já no "Luar sobre o Parador" eu fazia video assist (foi bem no começo da minha carreira), eram 5 câmeras Panavision , muitos equipamentos novos , uma equipe enorme, uma super produção, foi genial fazer parte desse filme , tive a oportunidade de filmar com Raul Julia, Richard Dreysfuss, Sonia Braga, Fernando Rey (esse atuou em todos os filmes de Buñuel e eu fiquei bem próxima dele). O DP foi Donald Mc Alpine, uma pessoa muito generosa que mantinha sua equipe sempre integrada. Com ele aprendi a trabalhar com o laboratório, acompanhando diariamente a revelação do negativo. Quanto ao "Incrível Hulk", o meu trabalho foi de operadora de câmera, com uma bagagem cinematográfica maior estava mais próxima da direção, sugerindo planos e enquadramentos.

Como é a sua experiência em comerciais de realizadores/produtores estrangeiros?
Fiz muitos comerciais estrangeiros tanto operando câmera como fotografando. É sempre muito bom, pois fazemos novos parceiros, trocamos experiências e geramos novos trabalhos podendo até sobressair no mercado internacional.

Com a Retomada, hoje a gente vê um maior número de mulheres atuando em áreas técnicas do cinema e da publicidade, em especial na montagem e na direção de arte. O que o olhar feminino tem agregado à estética publicitária?
Tento sempre buscar referencias cinematográficas, procuro sempre estudar um pouco, pesquisar, aguçar o olhar. Tenho fome de imagem, de quadros, pintura, assim vou descobrindo e formando o meu olhar feminino.

O machismo atrapalha a vida de uma fotógrafa de cinema e publicidade? Como foi a sua experiência?
Acho uma bela conquista das mulheres nessa profissão, quando comecei fazer assistência de câmera não havia mulheres fotógrafas, pelo menos no Brasil. Era um “trabalho para homens”. Escutei muito "não chama não, ela não vai agüentar..." Acho que temos um olhar diferente, talvez mais cuidadoso, delicado, um olhar feminino!

Como você avalia esteticamente a sua produção de stills? O que a sua câmera quer flagrar?
Eu tenho muito desse olhar, pois comecei no cinema fazendo o still do filme "Cinema Falado” de Caetano Veloso. Sempre fui muito ligada à fotografia, enquadramento, quando comecei não sabia da existência de um diretor de fotografia... fui indo !!! Como still você fica muito tempo parado no set esperando as coisas acontecerem, me interessei logo pela câmera, migrei!
Comecei fazendo segunda assistência de câmera, depois primeira, numa época que só havia duas mulheres fazendo. Fiquei muito tempo, pois sentia a necessidade de mostrar que eu era muito boa no que fazia.
Fiz muitos filmes... muitos comerciais, clips e documentários. Trabalhei com muitos fotógrafos consagrados, vi muitas coisas... Quando comecei a fotografar a base estava com um belo alicerce. Eu já sabia, estava no meu sangue... sou completamente apaixonada pelo que faço, digo que é minha droga, minha cachaça!
Hoje em dia ando com a minha câmera a tiracolo, pois sempre estamos no lugar certo, na hora certa com a luz certa. Tiro perfeito! Uso também a fotografia como um estudo do enquadramento x luz, sempre procurando diferentes ângulos.

Em relação à sua experiência com Nelson Pereira dos Santos, que olhares sobre o cinema um profissional herda ao trabalhar em um set com o diretor de "Rio 40 graus"?
Ter a chance de fotografar para o Nelson Pereira do Santos foi maravilhoso, um belo presente! Com a convivência acabamos ficando amigos, rolou uma bela química nessa mais nova parceria! Ainda mais um filme sobre o maestro soberano Tom Jobim, acho que agora estou bem apadrinhada e esperando novos projetos ...

Aqui você conhece o trabalho de Maritza.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Tony Scott - "Eu pinto com a câmera"



Tony Scott no set de "Sequestro do Metrô 1 2 3 "
Carinhoso ao falar de sua relação com a publicidade, Tony Scott tem comemorado seus 40 anos de cinema promovendo o lançamento internacional de “O sequestro do metrô” (“The taking of Pelham 1 2 3”), que estreia nesta sexta-feira. Irmão mais novo de Ridley Scott, diretor de “Blade runner – O caçador de andróides”, Scott tem alternado sua agenda entre projetos para Hollywood e para o mercado publicitário. Em entrevista exclusiva para Rodrigo Fonseca do CINEMA CURTO, o diretor revela manhas sobre como se dirige um comercial.

O que um diretor de superproduções aprende rodando comerciais?
TONY SCOTT: A publicidade é uma maneira de afiar o meu olhar, sobretudo quando se filma pensando em imprimir estilo pessoal aos filmes. Por isso ainda rodo comerciais e projetos para a TV.

Em 40 anos como o cineasta, o senhor alternou blockbusters como “Top Gun” e cults como “Amor à queima roupa” e “Fome de viver”. O que mudou no cinema desde seu primeiro filme, “Loving memory”?
SCOTT: Se existe algo de diferente, é a certeza da diferença formal entre filmar para o cinema e filmar publicidade. Dirigir um comercial é uma corrida morro acima: é preciso velocidade. Dirigir cinema é escalar uma montanha: é necessário paciência. Comecei a filmar após estudar Belas Artes, raciocinando com a lógica das artes plásticas. Essa lógica de contemplação se aplica bem a um longa-metragem, mas nem sempre atende àquilo que a publicidade exige.

O tipo de cinema em que o senhor e seu irmão, o diretor Ridley Scott, militam divide os críticos, que apontam um flerte declarado de seus filmes com a linguagem dos clipes e da publicidade. É dessas fontes que vêm as referências visuais de sua obra?
SCOTT: Em 1969, quando dirigi meu primeiro filme, o média-metragem “Loving memory”, eu havia acabado de sair da Escola de Belas Artes, onde estudava pintura. Quando comecei a filmar, eu tentei problematizar a mesma questão que me dragava quando eu era pintor: captar o movimento. No cinema e na publicidade, eu caço o movimento. No passado, eu era um artista plástico que filmava nas horas vagas. Hoje, eu pinto com a câmera, pincelando a realidade.

A realidade pincelada por “O sequestro do metrô” é a da crise financeira internacional contemporânea? Afinal, o terrorista vivido por Travolta foi um investidor de Wall Street. Seu filme é uma alegoria do colapso financeiro mundial?
SCOTT: É engraçado essa questão da crise porque parece que a antecipamos. O filme foi rodado bem antes de a crise começar, partindo do texto original, que vem do romance homônimo de John Godey, popularizado nos anos 1970. Quando aceitei filmar “O sequestro do metro”, deixei claro que só rodaria o longa se pudesse rodar do meu modo, sem alusões ao filme de 1974, que tinha mais humor na figura de Walter Matthau. O meu “sequestro” é uma história de vingança. Fizemos uma pesquisa sobre a realidade do metrô nova-iorquino que nos serviu base e eu busquei uma olhar para aquele mundo em que pudesse me reinventar em relação aos meus longas anteriores. Não é um filme de ação clássico. É um veículo para um estilo mais pessoal. No cinema, na direção, imprimir estilo é o apoio que um cineasta pode dar a seu elenco.

Nos últimos cinco anos, seu estilo tem sido comparado a “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. O senhor se incomoda com a comparação?
SCOTT: Foi “Cidade de Deus” que inspirou o filme que rodei no México: “Chamas da vingança”, cuja câmera foi o fotógrafo de Meirelles, César Charlone. Eu vi “Cidade de Deus” várias vezes e fiquei impressionado com o trabalho de Charlone. Por isso decidi que deveria trabalhar com ele. Além de Charlone, trabalhei mais de uma vez com um dos atores de “Cidade...”: Charles Paraventi.

Em seus comerciais, o senhor se acostumou a empregar astros do primeiro escalão de Hollywood. Já no cinema, o senhor tem estado fiel à Denzel Washington.Por quê?
SCOTT: Denzel é um sujeito que expressa muito com poucos gestos. Quando tenho ele ao meu lado em um filme, fica mais fácil para mim me concentrar nos exteriores. O olhar de Denzel dá conta do que é interiorizado, do que não é dito.


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dois craques da Criação e as mulheres.

Manoel Zanzoti e as suas paixões na tela grande.

AS MINHAS NAMORADAS DO CINEMA.

Eu tinha uns 3 anos e meio, quando fui pela primeira vez ao cinema com a minha avó.
O filme era o “Branca de Neve e os 7 anões” uma produção e animação de Walt Disney.
Aquela personagem era meiga, doce e bonita. Saí do cinema apaixonado.
Aos meus 7 anos, namorei com a Gina Lollobrigida. O filme era “O trapézio”.
Ela contracenava com Burt Lancaster que, logo no começo do filme, dispensei-o e assumi o papel do ator. Mas teve também “Fanfan la Tulipe”, “Pane, amore e fantasia”.
Depois veio a Doris Day, a Jane Calamity no filme “Ardida como pimenta”. Ela ganhou um Oscar interpretando e cantando “Secret love”. Teve também “O homem que sabia demais” com James Stewart. A Doris fazia o papel de sexy e ingênua e eu já estava com 10 anos. Escondido num balcão de um cinema do meu bairro por que era menor de idade, vi extasiado a Brigitte Bardot em “E Deus criou a mulher”. Era linda, sensual e provocante. E por fim, Jeane Moreau em “Les amants” de Louis Malle, “Jules e Jim” de François Truffaut. Bonita, segura de si, lábios carnudos e um olhar nouvelle vague.
Os filmes e as personagens que essas 5 atrizes interpretaram me influenciaram por toda a minha vida. Mas… devo confessar que não fui só fiel a elas. Tive muitas outras: Catherine Deneuve em “A bela da tarde” de Buñuel e “Fome de viver” do Ridley Scott.
Ornella Muti em “Crônica de um amor louco” do Marco Ferreri. Natasha Kinski em “Paris, Texas” do Win Wenders. E maravilhosa em “Cat People”. Sue Lyon em “Lolita” de Stanley Kubrick. Marilyn Monroe em “O pecado mora ao lado” de Billy Wilder, dirigido por John Huston, “Nunca fui santa” de Joshua Logan,” Os desesperados” escrito por Arthur Miller e dirigido por John Huston. Elizabeth Taylor em “Um lugar ao sol”, “Quem tem medo de Virginia Wolf”, “Disque Butterfield 8”. Sophia Loren em “Matrimônio a italiana” e “La Ciociara” dirigido pelo Vitorio de Sica, “Una giornata particolare” dirigido pelo Ettore Scola. E hoje, apesar de tê-las traído, me sinto perdoado por aquelas que sempre amei. Afinal, “La vita é un film”.

Edmar Salles e a estrela que o chato recusou.

CHATOS INESQUECÍVEIS.

Em propaganda, como em qualquer profissão, tem muita gente boa mas também tem muito chato.
Alguns deles eu diria que são inesquecíveis.
Trabalhei em uma agência cujo produtor do RTV tinha um mau hábito que enchia o saco da criação. Marcava as reuniões de pré produção com a produtora e a agência e logo em seguida com o cliente.
Ora, quando a gente recebia o rolo de casting vinha de tudo e essa atitude nos impedia de dar uma peneirada e apresentar uma boa seleção ao cliente. Apesar da nossa insistência ele nunca se corrigiu.
Um dia aconteceu o que eu temia.
Ele chegou em cima da hora e eu não pude ver o casting previamente. Tive que ver junto com
o cliente. Tratava-se de um filme de absorventes e o roteiro pedia uma mulher fina, elegante e boa atriz. No meio da exibição dos testes fui surpreendido por uma moça completamente fora dos padrões.
Uma gostosona brega com pinta de miss periferia.
Preciso dizer quem o cliente escolheu?
Senti que foi um caso de identificação à primeira vista, o que dificultaria a solução. Levamos seis horas, eu disse seis horas, para demovê-lo da escolha e aprovar a modelo adequada. Como o cliente estava sozinho contra todos, acabou concordando. Visivelmente a contragosto. O filme foi feito e ficou belíssimo. Irretocável. Apresentei ao cliente dando a aprovação como certa.
Já tinha esquecido a tal reunião. Errei na mosca.
O cliente demoliu a modelo. Disse que era pálida, anoréxica, deselegante, sei lá que besteiras mais. Opinião endossada por um séquito de assistentes previamente brifadas por ele. Tentamos defender o trabalho mas não havia argumento que o convencesse.
A discussão estéril já durava duas horas e a paciência da equipe envolvida tendia para o deboche.
– Não entendo porque vocês não aceitaram a minha sugestão. A mulher que eu escolhi (olha
o nível) é uma égua – disse o cliente.
– Pangaré, mas é égua - ironizou o diretor.
Para encurtar a história, recusou o filme.
Disfarcei minha frustração me despedi dos presentes alegando outros compromissos. O cliente me estendeu a mão com um sorriso sardônico que escancarava sua vingança. Não se dando por satisfeito ainda tentou me colocar contra a parede diante da plateia.
– Como é meu jovem criativo, chegou a alguma conclusão aproveitável?
– Cheguei sim. Nós nunca vamos brigar por causa de mulher.
Saí da sala com a sensação de que ele não entendeu muito bem.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Marcos Jorge: filme lindo e perfeitinho é minoria.



Consagrado como diretor de prestígio com o
premiadíssimo "Estômago", o paranaense Marcos Jorge, que fez carreira em publicidade no Brasil e na Itália, sobe a Serra Gaúcha nesta sexta-feira para apresentar seu novo longa-metragem; "Corpos celestes". O filme foi dirigido por ele em parceria com o diretor Fernando Severo, realizador dos curtas-metragens "Visionários" e "Paisagem de meninos". A trama aborda as inquietações amorosas e existenciais de um astrônomo, Francisco, interpretado por Dalton Vigh. Na entrevista a seguir, Jorge explica a gênese do projeto e faz um retrospecto de sua trajetória na direção de comerciais.

Qual é a tua expectativa para Gramado com "Corpos Celestes" após a consagração de "Estômago" em festivais das mais diferentes latitudes do Brasil e do mundo?

Marcos Jorge: Tenho grande curiosidade em saber como as pessoas verão o "Corpos Celestes" depois da relativa notoriedade que alcancei com o Estômago. Não vai ser fácil comparar os filmes, que são bastante diferentes entre si, e ainda mais difícil vai ficar a tarefa dos críticos e jornalistas que procurarem no Celestes uma continuidade em relação ao Estômago. Antes de mais nada, "Corpos Celestes" é o meu "primeiro" longa-metragem, pois o filmei antes do Estômago (embora o esteja lançando depois). Além disso, divido a direção com outro cineasta, o que obviamente condiciona o filme a não ter somente o meu ponto de vista sobre a história.
Quanto à expectativa em relação ao lançamento no Festival, devo dizer que chego a Gramado com a mesma expectativa com que cheguei no Rio com o Estômago: com a expectativa de que o filme seja entendido e que encontre seu público.

Como "Corpos celestes" se enquadra no teu currículo de realizações?
Jorge: Como expliquei, filmei o Corpos Celestes antes do Estômago, na realidade alguns meses antes. No início de 2005 minha produtora, a Zencrane Filmes, venceu dois editais de produção de filmes de baixo-orçamento, um com o projeto do "Corpos Celestes" e outro com o projeto do "Estômago". O Celestes foi filmado antes, em fins de 2005 e início de 2006. Estômago foi filmado em seguida, uns dez meses depois, praticamente com a mesma estrutura do Celestes, mas por uma série de razões acabou sendo lançado antes.

Existem concepções estéticas autorais possíveis no cinema publicitário do Brasil e da Itália?
Jorge: O conceito de autor é muito diferente no cinema publicitário e no cinema "propriamente dito". Quando comento meus filmes, gosto de dizer que os que gostam deles devem cumprimentar a todos os envolvidos (atores, diretores de departamento, artistas e técnicos em geral) pois o mérito é compartilhado, mas os que não gostam devem reclamar somente de mim. Ao assinar como diretor um filme, tomo para mim a responsabilidade de dar a palavra final sobre tudo, coisa que não acontece no cinema publicitário. O filme publicitário, antes de mais nada, tem uma finalidade específica, e na imensa maioria das vezes tem seu roteiro criado por uma agência. É claro que interfiro no roteiro e dou minha leitura em relação à sua materialização, e às vezes até discuto com os demais profissionais envolvidos, mas a última palavra, o "final cut", é da agência e do cliente, que em última análise são os "donos" do projeto. Assim, a autoria do filme acaba compartilhada não só no que tem de positivo, mas em tudo. Mesmo assim, é possível, para um diretor publicitário, deixar sua "marca estilística" nos trabalhos que faz. No Brasil, isso é
um pouquinho mais fácil do que na Itália pois aqui os diretores montam seus filmes, ou seja, entregam para a agência o produto montado, enquanto que na Itália, na maioria das vezes, é a agência que dá o corte final do projeto.





De que maneira um exercício mais autoral como "Estômago" te rende subsídios estéticos para filmar comerciais?
Jorge: Filmar longa-metragens de ficção me fez, sem dúvida nenhuma, um diretor muito mais maduro do que antes de fazê-los, quando tinha feito somente comerciais, curta-metragens e documentários. Então, antes de mais nada, hoje enfrento a filmagem de comerciais com uma habilidade narrativa e na direção de atores que antes eu não tinha, e isto me deixa mais seguro. Além disso, sempre levei as experiências de um gênero para outro, e quando fazia filmes experimentais (na década de 90 ganhei vários prêmios deste gênero), por exemplo, neles eu testava técnicas e ideias que acabava usando no trabalho comercial. O mais interessante é que o contrário também é verdade: às vezes, experimento uma técnica no comercial que depois acabo usando na ficção. Um exemplo foi o modo como me defini pelo ator-mirim Rodrigo Cornelsen para viver o Chiquinho de "Corpos Celestes". Eu gostara bastante do Rodrigo, mas ele não tinha nenhuma experiência anterior. No momento em que eu deveria escolher o ator, surgiu um comercial em que deveria usar um menino da idade dele: não tive dúvida, coloquei-o no comercial e ele saiu-se esplendidamente, o que me fez ter certeza de que ele daria conta do personagem no filme.

Como a Itália, onde você estudou, lida com essa pecha de "cinema publicitário" dado a filmes de diretores que flertam com as duas áreas da produção audiovisual: a produção de comerciais e a produção de filmes narrativos de ficção ou documentário para salas de exibição?
Jorge: Na Itália eu quase poderia dizer que esta "pecha" não existe. Nos dez anos em que vivi lá nunca li uma crítica que fizesse menção ao fato do diretor de um filme ser também diretor de comerciais (muito embora isso seja extremamente comum). Mas devo dizer que também aqui no Brasil este assunto me parece bastante fora de moda, e na minha opinião sobretudo por uma razão: hoje, não existe mais um "estilo" publicitário definido. Basta dar uma olhada rápida pelos comerciais hoje veiculados para perceber que aquele filme lindo, perfeitinho, de luz platinada, onde todas as pessoas são perfeitas, constituem a "minoria" dos materiais. Hoje, inclusive, vivemos a moda da fotografia desaturada, quase sem cor. A publicidade se apropria constantemente da linguagem dos filmes de ficção e documentais, e a recíproca também é verdadeira, os filmes se apropriam sem medo da linguagem rápida e cortante dos comerciais. Além disso, uma grande parcela dos cineastas relevantes também dirige comerciais. Mas,
como é fácil e cômodo utilizar a "pecha" de "estética publicitária" para criticar o trabalho de um diretor, algumas pessoas ainda se utilizam deste recurso, quase sempre sem detalhar onde a tal "estética publicitária" esteja.



Existe uma publicidade forte no Sul do Brasil? Como é a publicidade paranaense?
Jorge: Curitiba e Porto Alegre são cidades extremamente ativas na produção publicitária. Várias agências gaúchas e parananeses detém contas nacionais importantes, e o mercado local também é muito ativo, criando e produzindo incessantemente. A Master Comunicação, por exemplo, agência curitibana com sedes em São Paulo, Rio e Brasília, é uma das mais criativas agências do país, e seus prêmios demonstram isso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Meus verdadeiros ídolos do cinema - Toninho Lima

Era 1967, se não me falha a memória. Dustin Hoffman era um moleque. Eu, mais ainda. O cinema já me encantava como poucas outras atividades de lazer. Já que sexo ainda estava fora de cogitação e futebol não era o meu forte.
Então, era cinema e livros. Mas, na fantasia, além do sexo que eu imaginava exercitar um dia, havia também os carrões. Desde o Pontiac cor de bronze metálico do meu pai, passando pelo elegante Karmann-Ghia bicolor da mãe do melhor amigo, e pelo clássico MG conversível que passava diariamente em frente ao meu edifício na Avenida Rui Barbosa.
Nesta época, fui assistir ao sucesso cinematográfico A Primeira Noite de Um Homem. Pois foi exatamente o detalhe que mais me chamou atenção no bom filme do Mike Nichols: o Alfa Romeo Spider vermelho do Dustin Hoffman.
Competindo ali, palmo a palmo, com as coxas da Mrs. Robinson, magistralmente interpretada pela estonteante Anne Bancroft. Duas atraentes impossibilidades num só filme.
Daí, não parei mais. Houve o Aston Martin prateado do Sean Connery perseguindo bandidos nos filmes de James Bond.
Quase expulsei a Ruth Gordon do banco do carona do belíssimo Jaguar XK que Harold dirigia pelas estradas sinuosas do interior em Ensina-me a Viver.
Enfim, os carros sempre foram astros à parte nos filmes que marcaram a minha vida. E olha que sou do tempo da Brigite Bardot, da Gina Lollobrigida e da Claudia Cardinalle. Quem disse que elas não me chamavam atenção? Carrões e mulheres sempre foram extremamente complementares. Em Um Golpe à Italiana, também de 1969, Michael Caine e seus
parceiros protagonizaram sequências memoráveis ao transportar milhões em barras de ouro pelas ruas de Turim a bordo de três Mini Cooper. Eles inclusive desciam escadas! Fui assistir o filme umas três vezes.
Nos filmes que frequentaram indistintamente meu vídeo-cassete ou na tv, também brilhavam grandes máquinas, como o belíssimo Ford 1948 em Grease - nos tempos da brilhantina, contracenando com John Travolta. Houve o Steve McQueen voando pelas ruas de São Francisco num belo Mustang verde em Bullitt. Aquele Mustang branco que Jean-Louis Trintignant testava velozmente nas pistas em Um Homem e Uma Mulher também me marcou muito. E, mesmo fora das telas, mas ainda no mundo do cinema, tenho que citar o Porsche 550 assassino que levou o jovem James Dean para a morte no auge do sucesso.
Ainda hoje fico de olho nos carrões em quase todos os filmes. Prefiro os clássicos. Sabe quando o herói é excêntrico e prefere desfilar num elegantésimo Cadillac conversível de estofamento creme e bordô? Pois é.
Nem sempre meus heróis inesquecíveis no cinema eram de carne e osso. Muitos foram e são de ferro e aço. Alguns, inclusive foram protagonistas, como o bom e velho fusca em Herbie. Adorei.

Steve McQueen estrelou sem saber uma campanha para o Ford Puma, que se utilizava de cenas da clássica perseguição pelas ruas de São Francisco em "Bullitt". A tecnologia digital permitiu a McQueen pilotar o novo carro até sua casa e estacionar ao lado do velho Mustang e da Triumph de "Fugindo do Inferno". Tudo embalado pelo tema que Lalo Schiffrin criou para o filme.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tem Itaú, paga meia.

Depois do futebol, chegou a vez dos cinéfilos de plantão. Agora os clientes do Banco Itaú e Itaucard tem desconto de 50% nos ingressos inteiros em 300 salas de cinema do país.
Para a promoção, a DPZ criou uma campanha que se utiliza de cenas clássicas do cinema explorando a ideia da divisão do valor da entrada. Estão lá o arqueiro que corta a maçã ao meio com uma flecha, o samurai partindo a moeda em duas com um golpe de espada e Moisés dividindo o Mar Vermelho. A produção é da O2 com direção de Luciano Moura e fotografia de Adriano Goldman.

terça-feira, 28 de julho de 2009

"Xixi no Banho" – Parte 2

Depois do sucesso de crítica e público, a campanha "Xixi no Banho", da SOS Mata Atlântica, está de volta à mídia para continuar lembrando as pessoas que uma descarga gasta 12 litros de água potável e num ano são 4.380 litros.
Portanto o negócio é fazer xixi no banho. No filme da F/Nazca criado por Eduardo Lima e João Linneu e produzido pela Prodigo Filmes com direção de Fernando Sanches, vozes infantis convocam todos a economizar água: homens mulheres e crianças, passando por desportistas, músicos, cineastas como Alfred Hitchcock e até um King Kong mijão no alto do edifício.
Divertida e simpática. Que bom que voltou.


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fernando Meirelles continua em cartaz aqui.

Na sequência da campanha com o hilário engenheiro alemão que fala mal o português, chega ao ar hoje, em todo o Brasil, o novo comercial institucional da Volkswagen. O filme é da Almap, com criação de Gustavo Sarkis e Renato Fernandez.
A produção foi da O2 e,
a exemplo dos dois filmes anteriores, Fernando Meirelles dirigiu. A fotografia é do seu parceiro Cesar Charlone.
Para apresentar a nova tecnologia e-Flex o alemão segue se enrolando com a língua e trocando as bolas.
Confira.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Criaturas da noite atrás de um desconto no torpedo.

Não custa lembrar que o cinema é uma das maiores fontes de inspiração da publicidade. O mais recente exemplo estará em exibição a partir de amanhã e até o final de julho nas salas do Cinemark do Rio e São Paulo.
A Claro pega carona
nos filmes de mistério e suspense num comercial que mostra "criaturas da noite" uivando na madrugada. Nesse período toda criatura pode aproveitar a promoção de 50% de desconto no envio de torpedos entre meia noite e 8 da manhã.
O comercial é da F/Nazca com criação de Eduardo Lima, Ricardo Jones e Airton Carmignani. A sofisticada produção (para um filme de varejo) é da O2 com direção de Paola Siqueira e fotografia de Ralph Strelow (fotógrafo de "A mulher invisível"). A trilha é da Nova Onda.

Som, Fúria e Talento.

Estreou na Globo a minisérie Som & Fúria, o mais novo trabalho de Fernando Meirelles para a TV.
Com um elenco de primeira - que segundo declaração do diretor - ontem ao Cinema Curto “deixou meu trabalho muito mole” -, mais produção, fotografia e direção de arte impecáveis ficou mais mole ainda levar o bardo ao horário nobre.
A trama apresenta diretores de companhias teatrais em situações opostas: uma ocupa o Teatro Municipal de São Paulo com uma cara montagem de “Sonhos de uma noite de verão” e a outra dura como o nome do teatro na porta sugere - Sans Argent - é despejada por não pagar o aluguel da sala.
Numa linguagem dinâmica, sem respiros nem para o público (um break, um comercial), tem mais de cinema, e bom cinema, do que TV.
Um lance pode ter passado despercebido do público. Numa clara citação a seu trabalho publicitário, Meirelles mostra na platéia do teatro e depois mais a frente se apresentando no palco, uma dupla de atores (Arthur Khol e Wandi Doratiotto) que ficou íntima do espectador em 1991 ao lançar um dos mais expressivos bordões da propaganda brasileira.
“Não é assim uma Brastemp”.
Relembre abaixo a dupla inesquecível.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Fernando Meirelles no horário nobre: "Meus melhores comerciais foram aqueles feitos na raça"

Hoje, depois de "Casseta & Planeta", Fernando Meirelles vai levar ao horário nobre da TV GLOBO uma incursão carregada de metalinguagem na obra de Shakespeare: a minissérie "Som & fúria". A intimidade do diretor de "Cidade de Deus" (2002) com a tela pequena data dos tempos em que ele debutou na publicidade. Na entrevista a seguir, Meirelles conta ao CINEMA CURTO como se dá sua relação com a propaganda e antecipa seus futuros projetos como realizador.

Depois das experiências de "Cidade dos homens", você volta à TV com o elenco dos sonhos de qualquer diretor. Como foi o trabalho com a trupe de "Som & fúria"? Como foi seu trânsito pelo humor?
Fernando Meirelles: Comecei essa carreira fazendo humor, tanto na Olhar Eletrônico, a primeira produtora da qual participei até minha passagem pela publicidade. Me sinto muito a vontade fazendo rir, mais do que ao fazer drama. Quanto ao elenco é dos sonhos mesmo. Você imagina um tom para cada texto e eles invariavelmente entregam muito mais. A Andréa Beltrão é assustadora. Pedro Paulo não tem uma respiração que não seja precisa e genial. Felipe Camargo foi o Dante perfeito. Diria que a turma toda deixou meu trabalho muito mole.

De que maneira seu trabalho pregresso em publicidade te deu maior intimidade com a cartilha da TV? Dos comerciais que fez, quais foram os mais ambiciosos esteticamente?
Meirelles: Acho que a publicidade me ensinou pelo volume de problemas e filmes que fiz. Filmei todo tipo de filme, na terra, no ar ou na água, com efeito, com piadas, com animais e com não atores. Esta quilometragem de negativo gasto me deixou seguro ao menos na parte técnica deste ofício. Os filmes mais ambiciosos que fiz foram os que fui rodar praticamente sem equipe. Na raça. Foram os mais gostosos de serem feitos e com mais alma também.

O projeto de adaptação do romance do Jorge Furtado continua de pé? Quando saem as filmagens? Novos projetos internacionais à vista?
Meirelles: Esse projeto com o Jorge é internacional. Se der certo é para ser rodado no início do ano que vem.

Como é a sua relação com a TV como espectador? É noveleiro, fã de seriado?
Meirelles: Acho que assisto TV mais do que gostaria, sempre por um pouco de inércia ou preguiça no final do dia. Novela não consigo assistir nem 2 minutos. Acho tudo muito artificial e meu lado crítico não desliga, reclamo da luz, da interpretação, do texto, da roupa, até ser expulso da sala ou alguém mudar de canal. Séries vi algumas boas, mas não sou um seguidor. Assisti Roma e essa, pela produção me pegou. Twin Peaks também me pegou. Ganhei os DVDs de In Treatment e também me interessei muito. Adoraria fazer uma série tipo saga, nos moldes de Roma, sobre a história dos negros no Brasil, começando nas tribos onde eram capturados até uma alforria de um descendente no Brasil. Uma espécie de "Roots" brasileiro.
Uma hora me animo e levanto o projeto.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

João Daniel e o voo de "Besouro"

Com estreia prevista para outubro, já está rolando na internet e nos cinemas o trailer de “Besouro”, o longa de estréia de João Daniel Tikhomiroff.
Dá pra sacar que vem aventura e das boas. No sertão baiano da década de 20, a população negra que ainda sofre com a escravidão vê surgir um herói: Besouro, um capoeirista, com algo mais: o homem “avoa”.
E é nesse aspecto que o trailer se concentra, através de belas sequências, de luta e coreografia de vôos no melhor estilo dos filmes de Ang Lee e companhia.
“Besouro” promete altos voos para o veterano estreante João Daniel.

domingo, 21 de junho de 2009

Michel Gondry - o brilho eterno de uma mente que lembra de muita coisa.

Está agendado para amanhã (22/06) um encontro da imprensa carioca com Michel Gondry, diretor de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" (2004) e de uma penca de comerciais e videoclipes memoráveis. Mas, o CINEMA CURTO saiu na frente e entrevistou o diretor de véspera, por telefone. Atualmente envolvido com a produção da aventura "The Green Hornet", baseada no super-herói Besouro Verde, o diretor francês de 46 anos vem ao Brasil para promover a exposição "Rebobine, por favor", em cartaz no CCBB do Rio até 9 de agosto. Neste bate-papo, Gondry apresenta suas observações sobre o requinte estético que a publicidade pode ter quando feita com alguma liberdade autoral.

Sua obra é definida como uma reação do cinema de invenção na grande indústria. Na sua publicidade, há espaço para a autoralidade?
MICHEL GONDRY: Minha publicidade sempre obedeceu os interesses das agências que me contratavam. No entanto, elas me contratavam esperando um tipo de filme que não fosse convencional. Esperavam alguma experimentação. E eu tentei imprimir liberdade nos filmes que dirigi. Fui sempre muito criterioso na seleção dos comerciais que dirigi. Até hoje, nunca aceito rodar mais do que dois comerciais por ano.

Por quê?
GONDRY: Faço isso como forma de macular meus hábitos de direção e meu olhar com os vícios da propaganda. Não ponho emoção naquilo que dirijo para a publicidade, pois sei que, por mais liberdade que eu tenha, fica em primeiro lugar o compromisso de criar uma boa peça de venda.



"Brilho eterno de uma mente sem lembranças" é definido por alguns críticos como "O" filme desta década. Que conquistas este filme lhe trouxe, além do Oscar de melhor roteiro conquistado em 2005?
GONDRY: O problema de um acerto no cinema é que as pessoas ficam esperando algo melhor, ou pelo menos parecido, quando você faz outro filme. Como eu queria fazer um outro filme que fizesse as pessoas esquecerem "Brilho eterno...". Não saberia dizer se a memória é o eixo central dos meus filmes. Sou um nostálgico. E não vejo isso como uma constatação positiva. Nostalgia é um sentimento agridoce que nos projeta à infância. É da infância que vem a minha primeira memória cinematográfica, o filme "A viagem de balão" (1960), de Albert Lamorisse, que vi aos 7 ou 8 anos.

O comercial da Lacuna Inc. com Tom Wilkinson.


Foi a partir de seus vídeos musicais, em especial "Human behavior", que o senhor foi projetado mundialmente no mercado audiovisual, selando uma longa e calorosa parceria criativa sua com cantora islandesa Björk. Qual é a importância dela para sua carreira?
GONDRY: Björk enxergou detalhes da minha alma que eu desconhecia e deixou que eu crescesse com seu sucesso. Qualquer mérito dos clipes que dirigi deve ser dividido com ela, que colaborou para as escolhas estéticas que fiz.

"Human behavior" - Björk


Seu cinema virou tema de um livro nacional: "Ciência do sonho - A imaginação sem fim do diretor Michel Gondry", de Marcelo Rezende, publicado pela editora Alameda em 2008. Como define sua relação com o nosso cinema ?
GONDRY: Há alguns anos, eu vi um filme brasileiro fascinante, em preto e branco, sobre um rapaz que abre mão de sua satisfação amorosa para crescer na classe média. Como era mesmo? Ah! "São Paulo S. A." (de Luís Sérgio Person, lançado em 1964). São Paulo, onde estive algumas vezes, é um lugar incrível, uma metrópole onde a publicidade, em que eu também trabalho, acontece. Minha curiosidade com o Rio é a sensação de que aí vou encontrar pessoas mais interessadas em falar de sentimentos. Adorei um filme de vocês em que uma senhora espia a vizinhança a partir de uma janela, ajudando a polícia a desvendar um crime: "O outro lado da rua" (com Fernanda Montenegro). Em São Paulo, vi coisas boas como um documentário sobre Tom Zé. Vamos ver o que verei aí.

Seth Rogen será o Besouro Verde. O que você promete para esta transposição do herói imortalizado na TV por Van Williams? Será uma comédia?
GONDRY: É impossível ver Seth Rogen em um filme sem associá-lo a humor. Mas quero um caminho diferente para "The Green Hornet", quebrando o padrão da comédia. Quero que a aventura do Besouro Verde seja um filme cheio de ação.

Como foi sua experiência com Jim Carrey nos sets?
GONDRY: Durante as primeiras filmagens de "Brilho eterno...", eu percebia que Carrey mudava quando desligávamos a câmera, estampando uma virilidade que sua persona recorrente nas comédias não tem. Foi aquela outra figura que eu busquei. Alguém que não reagisse à câmera, e sim à sua colega Kate Winslet, às pessoas. Estávamos contando uma história sobre perdas. Histórias sobre perdas e conquistas devem sempre ser contadas levando em consideração o fato de que esses dois verbos, "perder" e "conquistar" envolvem o outro.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Meu filme inesquecível quase foi esquecido.

De volta, Toninho Lima fala de seu filme inesquecível.

Eu era estagiário. O que, na época em que entrei no negócio da publicidade, era pouco mais que uma ameba, menos que um zigoto. Se mandassem você comprar cigarros, você ia. Se o redator pedisse a você pra buscar o Aurélio no revisor, você ia. Se ele pedisse carona, mesmo que morasse no outro extremo da cidade, você dava. De modo que, no dia em que o diretor de criação me avisou que eu iria a uma filmagem, fiquei apoplético, siderado. Pela primeira vez, desde que eu pisei pela primeira vez na agência, fui considerado como ser vivente.
Filmagem? Onde? Era em Angra dos Reis. Um filme para os cigarros Havaí, um mata-rato da Philip Morris. Nós iríamos para Angra e dormiríamos lá para filmar bem cedo, no mar. Caraca! Ia ter até hotel pra mim? Nem dormi aquela noite de excitação e expectativa. A turma da faculdade não ia acreditar. Eu, participando de uma filmagem de comercial. Minha mãe nem entendeu muito bem a coisa: você vai aparecer na tv? Não, mãe, vou só acompanhar a filmagem.
O filme era, digamos, um tanto rústico. Eu achei meio bizarro, mas não cometi a deselegância de comentar isso.
Bem, o autor do roteiro era meu chefe (e viria a se tornar meu ídolo pouco depois). A ação se passava num barco, uma traineira de pescador, em que o nosso herói, um cara durão e boa pinta, era perseguido por bandidos, meio piratas, coisa assim. Os piratas atiram uma bomba no barco dele. Ele percebe a bomba e a pega na mão. Depois, tira um cigarro Havaí do maço e o acende no pavio da bomba. Joga a bomba de volta para o barco dos bandidos, que explode. A música do seriado dos anos 60, Hawai 50 acompanha toda a sequência. Tá-tá-tá-tá-táááá... Assinava
alguma coisa como “Havaí, para homens de ação.”
Dia seguinte, sol nascendo, estávamos embarcados numa velha traineira, nosso set de filmagem. Num outro barco, uma lancha meio velhusca, estavam os atores que faziam os bandidos. Esta lancha se aproximava cada vez mais da nossa traineira, onde um ator, de quepe de capitão, manobrava o timão, fazendo trejeitos de filme de ação.
A cena, um tanto complicada, porque precisava sincronizar a velocidade dos barcos e a ação dos atores envolvidos, foi rodada algumas vezes até dar certo. O diretor era o Carlos Alberto Vizeu, um cara muito bacana, mas dono de um mau-humor engraçadíssimo. Em vez de vociferar, ele meio que choramingava. Quando ele considerou que a ação estava bem ensaiada, choramingou mais um pouco, reclamou da demora da claquete e pronto: fomos para a cena da explosão da bomba.
Eu estava louco para ver aquilo. O barco dos bandidos emparelhava com a traineira e eles atiravam a bomba. O nosso audaz capitão pegava a bomba, acendia o cigarro Havaí e a devolvia, explodindo o outro barco.
Como ficou a cena? Bem, eu só vi na televisão. Veiculou muito naqueles bons e saudosos anos 70.
Na hora da cena pra valer eu desci para uma espécie de porão da traineira, atrás de um banheiro. Estava apertado para fazer xixi. Ouvi um estampido quando estava na escadinha, voltando ao convés.
Não vi como foi rodada a tal cena. Até hoje nunca mais tive a oportunidade de acompanhar a filmagem de um comercial com um barco explodindo. Menos ainda com um herói que acende o cigarro numa banana de dinamite com o pavio aceso.
Vai ver é por isso que eu quase ia esquecendo desse filme.

domingo, 14 de junho de 2009

O redator Zoca Moraes lembra o amigo Zé Rodrix.

O Zé que eu conheci.

Quando criança minha mãe não permitia novela em casa.
No lugar de “O Direito De Nascer”, assistíamos à “Viagem Ao Fundo Do Mar” e “Manda Chuva”. Ao invés de “A Deusa Vencida”, acompanhávamos a saga da Família Robinson na farsa intergalática representada pelos mais de 80 episódios de Perdidos no Espaço.
Estamos falando dos anos 60 em toda sua extensão quando os dramalhões eram exibidos por duas emissoras extintas: Tupi e Excelsior.
Basicamente, sintonizávamos a TV Record.
Dos Festivais da Canção, da Sessão das Três, do Pullmann Jr, da Família Trappo, da Praça da Alegria, do Capitão 7 e tantos outros clássicos desaparecidos.
A Globo sempre foi uma alternativa alienígena para mim, o que pode soar estranho vindo de alguém que trabalha em propaganda.
Por isso, posso afirmar que foi sem querer que “topei” com Zé Rodrix pela segunda vez.
Apesar da proibição oficial e de minha repulsa por essa TV produzida em terras estranhas, simplesmente adorava o tema de “O Espigão”, criado pelo Zé.
Por diversas vezes comentei sobre isso com ele.
“O Espigão” foi uma novela levada ao ar no início da década de 70, para o horário das 10 da noite.
Não conheço a trama, mas me permito dizer que a trilha de mesmo nome, composta por um Zé, pós Sá e Guarabira, era monumental.
Por que me refiro a um segundo encontro, sem ter, sequer, relatado o primeiro?
É o que farei agora.
Foi nas páginas da Rolling Stone.
Sim, entre 72 e 73, um influente grupo de jornalistas cariocas, comprometidos com a contra-cultura, publicou essa que já foi uma revista extremamente relevante, sobretudo quando ainda sediada em São Francisco.
Luis Carlos Maciel, Ana Maria Bahiana e Ezequiel Neves capitaneavam o projeto pirata, numa época em que todo jovem roqueiro fazia qualquer coisa para possuir um bootleg.
Eram tempos de ditadura Médici, mas, apesar disso, a Polícia Federal, governos estaduais e municipais, não organizavam espetáculos histéricos de caça à pirataria.
Foram 36 números.
Em alguns deles, li sobre o rock rural.
Mas para mim o Zé sempre esteve muito além dessa classificação que tragou os talentos de Luis Carlos Sá e Gutemberg Guarabira.
Mais do que Mestre Jonas E A Baleia, a maior expressão das virtudes musicais de Zé, em minha opinião, sempre foi Blue Riviera, que meu amigo George Alonso acreditava ser uma homenagem ao desaparecido bar na esquina da Consolação com a Paulista.
Bobagem, pois acredito que quando composta, Zé ainda vivesse no Rio.
Meu próximo encontro com Zé já seria nos anos 80.
Em 1987 fui trabalhar na agência de Mario Cohen, a Futura.
Perfeccionista que era, Mario fazia questão de só contratar os serviços dos melhores fornecedores e, entre as produtoras de som, a melhor delas era, sem dúvida, A Voz Do Brasil, do Zé e do Tico.
Na verdade, ainda não era A Voz, mas a Áudio Patrulha.
Poucas vezes na história da associação humana nós, os míseros mortais, tivemos a oportunidade de testemunhar a sociedade de duas criaturas tão geniais.
Tico era meu ídolo desde o Joelho de Porco, em sua formação original, de 1972, com Prospero Albanese na bateria e vocais.
Apesar de baixista, é de Tico a voz que se ouve nos refrões de “Mardito Fiapo de Manga”, registrada no primeiro e definitivo álbum da banda: São Paulo, 1554 / Hoje.
Embora fossem grandes músicos, Zé e Tico mais se assemelhavam a Stephen Fry e Hugh Laurie, do que a Lennon e Mccartney.
Sobrava-lhes talento.
Individual e coletivamente.
Afinal, quem se atreverá a dizer que Casa No Campo é harmônica e melodicamente, inferior a "Let It Be"?
Ou que Aeroporto de Congonhas e Trombadinhas são menos rocker do que "I Saw Her Standing There"?
O segredo do sucesso da dobradinha Zé e Tico não residia em sua imensa capacidade de produção musical marcada por uma singular e rica originalidade.
Mas no fato de que os dois eram completa e absolutamente engraçados.
E politicamente incorretos.
Muito incorretos.
Lembro de que numa reunião de briefing com o cliente Pirelli, num esforço para quebrar o gelo que se estabelece no início desses encontros, Tico disse ter lido que Fred Mercury se submetia, periodicamente, à lavagens estomacais para a retirada de semen que se acumulava no fundo de seu aparelho digestivo.
Como a biografia do front-man do Queen não revela qualidades contorcionistas no finado, supõe-se que o resultado final de uma ereção prolongada pertencesse a outrem.
Na seqüência, Zé deu o troco, afirmando saber que Rod Stewart costumava sorver falos alheios, mas que não se considerava perobo pela prática dessa oralidade.
Nessa linha anarco-sexual, Zé e Tico cometeram diversos atentados contra as recepções de incontáveis agências.
Por alguma razão que até hoje me escapa, a Norton era uma das vítimas prediletas.
Lá, enquanto aguardavam serem convocados pelo RTV, ou por quem de direito, introduziam sob as revistas dispostas na mesa, ali colocadas para a conveniência dos clientes e visitantes, exemplares de Honcho e outros títulos da pornografia gay, editados em inglês.
Parece que na velha Norton o idioma ingles era muito apreciado.
Os melhores profissionais do jingle de todos os tempos não se levavam a sério.
Tanto é assim que se apresentavam como o “Preto e o Judeu”.
Ligeiramente fascista, mas não a ponto de incomodar, o bom humor de Zé e Tico era indomável como suas personalidades.
Zé era agitadíssimo e Tico, mais bonachão.
Exatamente por ser boníssimo e generoso, Tico se permitia certos luxos, como o de gozar da miséria, como forma de expurgar nossos próprios preconceitos, permitindo que eles surgissem a nossa frente, crus e cruéis, fazendo-nos refletir sobre nossas maldades ocultas e impronunciáveis.
Duvido que esse episódio tenha acontecido de verdade, mas entre perder a piada e perder o mendigo, Tico preferiu assegurar o primeiro.
Disse que, certa vez, parado num “farol” (semáforo para os paulistanos), aguardando o sinal verde, aproxima-se de seu carro um garotinho que lhe pede uma esmola para poder comer.
Como eram 10 da manhã, Tico teria respondido assim:
Eu não vou te dar dinheiro porque depois você não almoça!
Pessoalmente, não creio nesse episódio, mas no lançamento de anões durante uma festa em sua casa, nisso aposto todas as minhas fichas.
Outra das façanhas contadas por Tico estava a de atormentar seu avô, simulando assediá-lo sexualmente.
Tico era louco e gênio da raça.
Além de agitado, Zé se irritava com a incompetência e a burrice.
Acho que foi em 89, ou 90.
Estávamos gravando a trilha e locução para uma campanha criada por mim e pelo Valdir (Bianchi).
O produto era Vodka Wyborowa.
Como o texto falado era tremendamente irônico e como se tratava de um destilado, decidimos trazer um conhecedor do assunto para fazer as falas: Paulo César Pereio.
O primeiro problema a irritar o Zé foi a falta de pontualidade do grande ator gaúcho.
O que deveria ser gravado na parte da manhã, começou logo depois da siesta mexicana, lá pelas três da tarde.
Tudo porque o Pereio não entra em avião e veio de ônibus do Rio.
Se o fuso horário já não fosse motivo mais do que suficiente para provocar urticária no Zé, ao que tudo indica, Pereio fez um test drive no objeto filmado e não falava coisa com coisa.
Mas o que deixou o Zé enlouquecido não foi nem a desatenção do astro de Eu Te Amo ao, involuntariamente, chutar e inutilizar um microfone da Voz.
O que tirou o Zé do sério foi o Pereio evadir-se da responsabilidade, referindo-se ao acidente com uma pergunta dirigida ao maestro Rodrix:
E aí, fresnel?
Até hoje não entendi o por quê da cólera do Zé e o significado de fresnel.
Zé tinha muitos filhos e uma linda mulher que, ao que parece, mais do que herdeiros, deu-lhe um norte magnético.
Contudo, nem todos os filhos proviam de uma mesma matriz.
Vez ou outra, apareciam em sua vida, desconhecidos que o chamavam de papai.
Tudo por obra de sua existência anterior.
Como astro pop que foi, Zé se encontrava sempre “na estrada”, excursionando por “esse mundão afora”, como dizia aquele velho comercial das Antenas Plasmatic.
Da última vez que topou com uma potencial Sandra Arantes do Nascimento, Zé disse que se tivesse que realizar o teste de DNA para provar paternidade, faria como Pelé e enviaria sangue de cachorro.
Tico morreu onze anos antes do velho companheiro.
Desfaleceu durante uma apresentação na Newcomm Bates, de Roberto Justus, na presença do próprio.
Perdeu a consciência e não acordou mais.
A dinastia Terpins respeita uma tradição que se repete geração a geração: cedo ou tarde, seus membros masculinos são fulminados por doenças cardíacas.
A despeito desse histórico médico familiar, Tico nunca se inibiu diante de um, ou dois pastéis recheados de carne moída, ovos cozidos e azeitonas verdes, que consumia diariamente, como assíduo freqüentador de uma pastelaria nas cercanias da produtora.
Para Tico, Volte Sempre, era um slogan quase que sagrado.
Num dia qualquer de 1998, os pastéis de carne, finalmente, vieram cobrar a fatura.
No entanto, uma outra versão afirma que Tico não suportou a possibilidade de ter que gravar uma fita demo de Justus que, já naquela época ameaçava o mundo civilizado com seu repertório de churrascaria rodízio.
Se houvessem permanecido na propaganda, Zé e Tico teriam perecido na desolação em que se transformou nossa profissão, onde efeitos especiais substituem a idéia criativa, onde os pré-testes eliminam a surpresa e a emoção e, principalmente, onde as trilhas em inglês, francês e até em japonês, tomaram lugar da música popular brasileira, num país que, ano passado, comemorou o cinqüentenário da bossa nova.
A última vez que vi o Zé foi na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, durante o lançamento de um livro.
Eu estava lá por acaso e trocamos breves palavras.
A derradeira conversa que tive com Zé foi há muitos anos, antes de ele deixar a Voz e iniciar sua curta, porém, também muito bem sucedida carreira como escritor.
Nessa conversa, tão prazerosa quanto qualquer papo com o Zé, ele me confessara que desconfiava que jamais morreria.
Antes de rir dos outros, ou de si mesmo, Zé tirava sarro da morte.
Ele apenas esqueceu que sua transitoriedade havia sido decretada quando escreveu esses versos imortais:
....... que vai mantê-lo preso na baleia até o fim da vida,

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Paulo Coelho filma para o VW Voyage, em Praga, na mesma locação de filme de James Bond.

Está no ar o comercial do VW Voyage em que a marca é comparada, de forma humorada, ao escritor em alguns quesitos e só perde no de "obras publicadas".
O filme foi rodado em vários pontos de Praga. Termina na biblioteca do Monastério Strahov, considerada uma das cinco principais bibliotecas do mundo em beleza e conteúdo e que serviu de cenário, para o último filme de James Bond.
O filme da Almap foi criado por Renato Simões, Bruno Prosperi, Cesar Herszkowicz e Marco Monteiro. A produção é da Delicatessen com direção de Gustavo Leme.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Claudio Torres lança filme com a "invisível" Luana Piovani e confessa que a publicidade também o ensinou a filmar louras.

Claudio, Luana e Selton no set - divulgação/Ralph Strelow










Com o compromisso de elevar a média de ocupação do cinema brasileiro em circuito com "A mulher invisível", que chega às telas no dia 5, Claudio Torres tem pela frente a tarefa de lotar salas de exibição com sua nova comédia, estrelada por Selton Mello e Luana Piovani. Pelas análises do mercado cinematográfico, seu quarto longa-metragem _ após "Traição" (1998), "Redentor" (2004) e "A mulher do meu amigo" (2008) _ tem fôlego para se tornar um blockbuster. Essa cobrança de resultado evoca a experiência pregressa de Torres com outro tipo de cinema: o publicitário. Na entrevista a seguir, o cineasta, filho de dois titãs do teatro nacional, Fernanda Montenegro e Fernando Torres (1929-2008), relembra sua trajetória pela publicidade e faz avaliação estética da arte de filmar comerciais.

Você é um diretor de histórias sobre descontroles emocionais e afetivos. É assim desde "Traição". Seus personagens perdem o juízo e viram lobo do homem em situações de pressão extrema. Na publicidade, você já levou essa reflexão, recorrente no cinema, para algum comercial? É possível ser autoral rodando propaganda?
CLAUDIO TORRES: Esteticamente, sim. Em termos narrativos também, mas a criação autoral, propriamente dita é feita pelo redator então, para que exista espaço para o diretor de publicidade ser autoral ele precisa ter uma interação muito boa com o criador, a agência e uma confiança muito grande do cliente.
Tive poucas experiências assim de participação na criação dos filmes, para citar alguns: na W/Brasil com o Washington (uma campanha de guaraná Antartica), na DM9 (um de cerveja Antarctica) com o Nizan e com o Silvio Matos (Guia da Vida Saudável do Globo).











Cheguei a fazer uns filmes estranhos. Tem um de armazenamento de dados pra Telefonica, que eu gostei muito.



De que maneira a publicidade serviu de balão de ensaio para o tipo de cinema que você faz hoje na Conspiração?
TORRES: A publicidade me ensinou a filmar. Colocar um filme no orçamento, trabalhar com equipe, conhecer o tamanho do plano que você precisa para a cena, montar, planejar uma cena de efeito, trabalhar com a música. Além de aprender a iluminar carros e louras.




O mercado espera muito de "A mulher invisível". Os mais de 15 mil pagantes* das prés compensaram essa expectativa. Como está a pressão em relação ao sucesso do teu novo longa-metragem, neste cenário pós-Divã e pós-"Se eu fosse você 2"?
TORRES: Acho que é mais torcida do que pressão. Seria bom se este fosse um ano de bastante público pro cinema brasileiro.

Que comerciais foram determinantes na tua formação como publicitário?
TORRES: Acho que a formação tem a ver com aqueles filmes que você viu quando estava começando, e isso no meu caso é ali entre 80 e 92, ou seja, há bastante tempo atrás. Que eu me lembre assim , os dois primeiros da Smirnoff internacionais. Um da Pepsi do Fernando Meirelles, um Rio Sul do Breno e aquele que o cara atravessa o deserto, chega no bar e pede um saco de batata frita - provoque sua sede até não poder mais e aí tomava alguma coisa que eu não lembro, era absurdo, sensacional.
*até 31/05/09

Pepsi - Roberto Carlos / dir: Fernando Meirelles


"Redentor" te apresentou como um diretor esteticamente ambicioso para o cinema nacional. Na publicidade brasileira hoje há um investimento estético forte? O que se inventa em termos de narrativa?
TORRES: O momento nunca esteve mais fecundo. A narrativa dos comerciais, os tempos cinematográficos, os enquadramentos mais abertos e a direção de arte estão cada vez mais elegantes e inteligentes. Explorando cada vez mais o nonsense, que sempre achei o ponto alto da narrativa publicitária. A pós produção deixou de ser um bicho de sete cabeças e hoje permite narrar qualquer ideia.

Relembre um episódio marcante do teu histórico na publicidade.
TORRES: Episódios marcantes são sempre os mais delirantes, coisas da juventude, em 98, eu e o Lula Buarque como diretores, Breno Silveira era o fotógrafo e Tony Vanzolini o diretor de arte. Juntos vimos pousar o helicóptero do exército tunisiano que nos levaria para filmar uma caravana cenográfica para um comercial de Antarctica no meio do Saara.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"ALIEN" RELOADED

Carl Erik Rinsch
Os estúdios 20th Century Fox confiaram ao diretor de publicidade Carl Erik Rinsch, contratado da produtora RSA de Ridley Scott, a tarefa de refilmar um clássico da ficção científica: "Alien - O oitavo passageiro" (1979). A produção original foi rodada por Scott nos estúdios Shepperton e Bray, na Inglaterra. No fim da década de 1970, o longa-metragem custou US$ 11 milhões e faturou cinco vezes mais apenas nas bilheterias dos EUA, contabilizando uma arrecadação mundial de US$ 184 milhões. O novo projeto, pilotado por Rinsch, pretende abordar a origem da raça extraterrestre, além de apresentar uma nova oficial Ripley (que ganhou fama na pele de Sigourney Weaver).
Confira o trabalho de Rinsch no comercial "Evolution" da Saturn. Uma espécie de aval para a nova empreitada.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O dia em que Steve Jobs recusou o filme “1984”.

Manoel Zanzoti, um dos inspiradores do Cinema Curto, 25 anos depois a sua genial versão para a reunião de apresentação do filme "1984".


Sala de reunião lotada da agência Chiat/Day para a projeção do filme de lançamento “Apple 1984”.
Reunidos Steve Jobs, cliente, Lee Clow, diretor de criação e criador do filme, Ridley Scott, um dos diretores mais renomados do mundo e diretor do comercial.
Em volta, um monte de aspones.
A luz apaga-se e começa a projeção do filme.
Todos tensos.
A projeção repete-se por mais duas vezes.
As luzes se acendem. Silêncio na sala.
Pra quebar o gelo, Lee Clow pergunta ao Steve:
– Que tal, gostou?
Steve balança a cabeça de um lado para o outro:
–Tenho algumas restrições.
Lee Clow –Restrições? Que tipo de restrições?
Steve –Não gosto da cena desse pessoal nesse templo. Parece a Igreja Renascer.
Outra coisa, todos carecas, parecem skinheads.
Eu não quero problemas com ninguém, a minha empresa não tem preconceitos.
Lee Clow – Mas Steve, isso é só para dramatizar.
O Ridley Scott, calado. Só observando. A galera muda.
Steve – E… não é só isso.
Já meio alterado.
– Essa mulher correndo com um enorme martelo nas mãos, sendo perseguida pelos policiais. Arrebenta a tela, porra! Isso incita a agressividade, não passa no Conar.
Lee Clow tenta argumentar, mas é abafado pela voz já alterada do Steve.
– Mas o que me incomoda mesmo é a ideia.
Lee Clow e Ridley Scott falam ao mesmo tempo – A ideia???
Steve: – Sim, a ideia! Essa ideia é do George Orwell, porra!
Isso é cópia.
Ridley Scott já vermelho de raiva, já perdendo a paciência:
– Esta é uma releitura do livro “1984”, uma licença publicitária. Tem tudo a ver com o nosso lançamento.
Lee Clow, interrompe, falando alto – Eu também tenho uma restrição.
Steve e toda a mesa olham para ele.
Lee Clow, completa – Essa marca.
Todos perplexos.
Lee Clow – Uma maçã? Isso é óbvio demais. A empresa chama-se Apple. E mais, uma maçã mordida fica podre rapidamente.
O Ridley Scott, completa – E essas cores dentro. Isso é gay!
Silêncio.

Tem filmes que podem ser lembrados toda a vida e outros que são mortos num piscar de olhos.