segunda-feira, 27 de abril de 2009

A Philips leva você ao verdadeiro cinema em casa.

A Philips lança um novo conceito em TV: a TV CINEMA 21:9 com qualidade de cinema. O carro-chefe da campanha criada pela Tribal DDB de Amsterdã é o filme Carousel. Um curtinha de exatos dois minutos e 19 segundos produzido pela Stink Digital e dirigido por Adam Berg. Você assiste ao filme no hotsite que a Philips criou para o projeto - aqui.
Realizado num "continuous tracking shot", você pode assistir uma cena quadro a quadro ou simplesmente voltar atrás, arrastando o mouse. Pode também ver intervenções do diretor, do diretor de fotografia ou do supervisor de efeitos visuais em determinados trechos do filme. E ainda comparar o formato 21:9 com 16:9 e optar por usar ou não o recurso Ambilight.
Em 2007, no lançamento da Aurea, que também utiliza a tecnologia Ambilight, a bola da vez foi o comercial dirigido pelo cineasta chinês Wong Kar-wai, que você vê aqui:

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terça-feira, 21 de abril de 2009

Fernando Zagallo - fazendo cinema e amigos.

Um dos mais requisitados diretores de produção do mercado, o divertido Fernando Zagallo se diverte sempre que pode trabalhando em longas ou comerciais, e afirma que se publicidade fosse arte, telegrama seria literatura.

Para um diretor de produção, fazer publicidade é só pra pagar contas?
Hoje em dia sim, pois em algumas produtoras - por incrível que pareça as maiores - estão pagando muito pouco. Antigamente até dava para juntar uma grana. O lado positivo da publicidade, para os técnicos, é o contato com novas tecnologias que podem ser usadas de forma mais cirúrgica em trabalhos autorais como num longa, clipe etc...é para alguns o exercício da paciência, pois as relações humanas são extremamente falsas, mesmo que rápidas.

O que é mais fácil de encarar: oito semanas de filmagem ou dois dias?
Os dois primeiros dias e os dois últimos das oito semanas são os piores. Filmar só dois dias é muito pouco para a equipe ter um entendimento mínimo do trabalho. É claro que há exceções. Quando os cabeças dos departamentos se conhecem muito, tudo fica mais fácil. Dá até para se divertir.

Diretor de longa (somente) é mais pouca prática que o publicitário?
Absolutamente, uma equipe de filmagem é o conjunto mais crítico que se pode formar. A “pouca-praticisse” é um fenômeno que ocorre de forma mais acentuada nas relações humanas. Tecnicamente, se o diretor escolher bem o fotógrafo, o diretor de arte e depois o montador, fica mais fácil de obter um bom resultado final. Mas se não se relacionar com cada membro da equipe, fica tudo muito difícil. Fazendo uma relação do diretor com um maestro, imagina eu regendo uma orquestra sinfônica sem a menor possibilidade de diálogo com os músicos. Danço no segundo dia. Imagina essa situação acontecendo oito semanas seguidas? É trágico. Mas em publicidade nego agüenta, é só pensar que vai emitir a nota daqui a pouquinho.

Onde você se diverte mais, no longa ou no comercial?
Eu tento me divertir sempre e na maioria das vezes consigo. Por sorte eu trabalho quase sempre com amigos, tanto em longas quanto em publicidade. Tirando a urgência e os egos, fazer publicidade também é divertido. Agora, quando não existe cumplicidade num longa, é a pior situação possível. Parece que não vai acabar nunca, é uma tortura. Por isso que é uma panelinha mesmo, a primeira avaliação é técnica, a segunda é a amizade. É igual escolher o time no recreio do colégio, se você ganha o par ou ímpar você escolhe primeiro o amigo que melhor joga futebol.

Conte histórias divertidas (e publicáveis) acontecidas em sets de filmagem.
Essa é foda, pois sempre vai ferir suscetibilidades, vamos lá:
Estávamos fazendo um comercial para um cliente estrangeiro em Natal. Na preparação choveu muito, os gringos apavorados, aquele climão, um corre-corre danado. Passou a chuva... Tínhamos seis diárias de filmagem e tudo corria muito bem, todos muito felizes. Filmávamos em Genipabu, em suas dunas maravilhosas, porém próximo ao presídio da cidade. É claro que na madrugada do segundo para o terceiro dia aconteceu uma fuga grande no presídio e os presidiários foram se esconder nas dunas. De dia, ficavam escondidos debaixo dos cajueiros e outras vegetações que formavam uns oásis lindos. De noite, tentavam fugir. Eu conversei com o produtor gringo, expus a situação que, segundo o chefe de policia local, estava controlada da seguinte forma: “ À noite sentamos a porrada neles, os que sobrarem ficam escondidos de dia, aí vocês trabalham e de noite nós voltamos”. Era uma situação muito delicada, mas pensando friamente, ninguém iria roubar equipamentos pesados durante uma fuga, o perigo era fazerem um refém que seria um de nós, é claro. Portanto, decidimos aumentar a segurança durante o dia e tacar pau nas filmagens. Qual a graça? Sei que tenho um humor muito ácido... Foi exatamente quando acabaram as filmagens, durante a desproducão, compramos umas cabeças de negro (explosivos pequenos usados na época de São João) e simulamos um ataque dos presidiários. Foi um pandemônio, com pessoas muito fortes e arrogantes em pânico total.

No longa que eu fiz do Murilo Salles na Copa do Mundo de 94, estávamos filmando uns garotinhos numa quadra de basquete tentando jogar futebol, no Harlem, em New York.
O clima era bem pesado, pois todos nós éramos bem branquinhos, e só melhorou quando nos apresentamos como brasileiros. Eu tinha um assistente que também dirigia a van. Esse cara muito bem intencionado, tentando nos ajudar, acabou entrando em quadro, atrapalhando o fotógrafo que estava pendurado no alambrado que fica em volta da quadra.
Nosso fotógrafo, de forma muito espalhafatosa, xingou o rapaz aos gritos. Intervi pedindo pro cara ir para a van que eu ficava no set até as coisas se acalmarem. Mas quando cheguei no carro ao final desse plano, o fotógrafo estava se defendendo do ataque do assistente enfurecido e tive que apartar a briga.

Quantos longas e quantos comerciais na carreira? E com que diretores trabalhou?
Fiz as contas rapidamente: dos longas que prestaram para alguma coisa (eu sempre tento aprender uma coisa nova), foram mais de 40. Trabalhei com caras como o Ruy Guerra, o Cacá Diegues, o Andrucha, o Breno Silveira, o Babenco, e muitos outros. Em publicidade não tenho a menor idéia, juro pra você.

O que todo cineasta deveria saber sobre publicidade?
Que se pode ter acesso a novas tecnologias, mas ter certeza que se publicidade fosse arte, telegrama seria literatura.

O que todo publicitário deveria saber sobre cinema?
Acho que eles já sabem tudo, pois as referências quase todas são de lá. O publicitário bom é sensível e tem apuro técnico e artístico, só que usa essas características para a venda de um produto ou idéia, está certo, é muito bem pago para isso.

O que todo diretor deveria saber sobre Zagallo?
Que ainda tenho muita disposição para trabalhar, só não me venham com barbaridades, pois todos somos responsáveis pelo resultado na tela e também financeiro.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O Bafici - Festival Internacional de Cine Independiente de Buenos Aires - acertou na mosca com três comerciais geniais que ganharam leões de ouro em Cannes 2007 e 2008. Os filmes eram assinados pela agência La Comunidad.







Agora vem com mais três e de agência nova: Savaglio/TBWA. Parece que o nível caiu um pouco, ou é somente impressão?








segunda-feira, 13 de abril de 2009

George Clooney, três diretores e um café: Nespresso

A Nestlé adotou há alguns anos o astro George Clooney como seu garoto-propaganda. E deu certo.
A sofisticação do produto aliada ao charme do galã em comerciais de ótimo nível, não são os únicos ingredientes da receita de sucesso da campanha de Nespresso.
Três diretores consagrados na telona estão no comando de cada um dos comerciais produzidos.
No primeiro da série está Michel Gondry o irrequieto diretor de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", do recente "Rebobine, por favor", além do ainda inédito por aqui "A ciência do sono". Deste último Gondry trouxe o diretor de fotografia do comercial: Jean-Louis Bompoint.



No segundo: Bennett Miller, diretor de "Capote" que deu o Oscar de melhor à Philip Seymour Hoffman. A camera foi entregue ao mexicano Rodrigo Prieto, fotógrafo de "Babel" e "Brokeback Mountain".



E no terceiro: O ex de Madonna, Guy Ritchie (de "Jogos, trapaças e dois canos fumegantes", "Porcos e Diamantes" e "Rock'n'rolla) que a dirigiu num dos elogiados curtas da BMW em 2002 dando origem aos virais na web. Ritchie chamou Sam Jones fotógrafo de celebridades para cuidar da luz.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

15 anos e 70 comerciais depois, Clovis Mello fala do sucesso das campanhas das Havaianas.

Praia virou sinônimo de Havaianas graças à recente campanha da sandália mais famosa do Brasil, estrelada pelo casal Murilo Rosa e Fernanda Tavares. Diretor oficial dos comerciais que popularizaram a marca, Clóvis Mello (da Cine) conversou com o Cinema Curto sobre as ações de marketing que pilotou em torno do produto, contabilizando um número de impressionar: 70 filmes. Há neles uma carioquês despojada e atraente. Mas Mello explica que ela não foi proposital.
A campanha das Havaianas com Murilo Rosa se tornou uma das ações publicitárias de maior popularidade na TV nos últimos dois anos. Da leva de filmes do produto, feitos com astros globais, foi a que teve maior assimilação entre os espectadores. Como essa recepção reverberou sobre o seu trabalho? Como o mercado publicitário reagiu? Vai haver sequência da campanha com Murilo e Fernanda?
Clovis Mello - A repercussão no trabalho vem sempre na forma de comentários elogiosos, tanto das agências e clientes, concorrentes ou não, quanto dos amigos e do meio artístico em geral. Não sei qual é o pensamento do cliente, mas acredito que Murilo e Fernanda, que são duas pessoas incríveis, dóceis, generosas e talentosas, devam ficar um pouquinho fora das próximas convocações (rs). Os filmes ficaram no ar até bem pouco tempo.

Como começou o seu histórico publicitário com as Havaianas?
Clovis - O histórico começou há mais ou menos quinze anos, quando a marca, num trabalho brilhante e consistente desenvolvido pela Almap/BBDO em parceria com o marketing das Alpargatas, começou a reposicionar a marca, colocando-a também nas prateleiras dos famosos e modernos em geral. O primeiro filme que foi ao ar era estrelado pela Malu Mader e por Luis Fernando Guimarães, que, com uma fictícia equipe de filmagem, invadia a casa da Malu e a flagrava acabando de sair do banho usando Havaianas. Melhor escolha impossível. Malu, Luis Fernando e Havaianas, com talento, consistência e renovação constantes, só melhoraram com o passar dos anos. Hoje, quinze anos depois, o mesmo roteiro poderia ser feito com os mesmos atores, sem que o tempo se fizesse notar. Vale lembrar que à época eram vendidos 7 milhões de pares de Havaianas no Brasil e hoje esse número passou de 200 milhões no mundo todo. De lá prá cá, tive a oportunidade de fazer todos os filmes, algo em torno de 70 filmes pelas contas do Rui Porto, que cuida da marca desde aquela época e para quem o tempo não passou também. Só o diretor ficou de cabelos brancos.

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Dos comerciais atualmente no ar, o das Havaianas talvez sejam o que melhor traduzam o espírito dos encantos cariocas. Como foi feito o desenho da campanha no roteiro e na direção na busca por um diálogo com o imaginário carioca?
Clovis - Não houve necessariamente uma busca neste sentido. O produto, pela irreverência e descontração, já é a cara do Rio. Isso tudo somado ao fato de que a maioria dos roteiros tem a praia ou a natureza como cenário, fazem com que o consumidor associe muito o produto ao Rio de janeiro. O que, cá entre nós, não faz mal a ninguém. Na realidade, os filmes, em sua grande maioria, foram mesmo rodados na cidade maravilhosa. Até pelo fato dos atores e personalidades, de uma maneira geral, morarem no Rio. Mas sempre tentando, mesmo filmando no Rio, não utilizar como fundo uma paisagem tipicamente carioca. A idéia é sempre fazer um filme bem brasileiro.

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Que mudanças estéticas você sente hoje na publicidade brasileira em relação às campanhas de que participou no início de sua carreira? O que mudou na resposta do público aos anúncios?
Clovis - Hoje, pelo livre e fácil acesso aos inúmeros sites de buscas de imagens e ao imenso número de canais de TVs a cabo, a estética dos filmes publicitários ficou muito globalizada e com um look mais internacional. O que tem prós e contras. Quando usados com adequação esta pode ser uma incrível ferramenta de posicionar uma marca num ambiente menos previsível e repetitivo. Mas, quando em excesso ou sem pertinência, pode soar bobo, meio coisa de colonizado tupiniquim. Não esqueçamos que os londrinos só fazem filmes com aquele ar difuso e lavado por falta de opção. Eles morrem de inveja do contraste das nossas paisagens. Já cansei de ouvir coisas do tipo nas minhas filmagens fora do Brasil. Hoje o público não é mais escravo deste ou daquele canal, pelo menos o público mais esclarecido. Se a tua mensagem não for atraente o suficiente, ele simplesmente te descarta e muda de canal. Ou liga o computador. Esta geração vê TV fazendo várias coisas ao mesmo tempo e estão cada vez mais seletivos e segmentados.

Você tem planos para o cinema? Quais são?
Clovis - Estou finalizando um curta e roteirizando um longa. Além de alguns outros longas de outros autores que me querem como diretor. Ainda leva um tempinho, mas vai rolar.

Mais Skol por menos "cascalho".

Um filme de cerveja com cara de varejo anuncia o Litrão de Skol apoiado no conceito "Já que o seu dinheiro não estica, esticamos sua Skol". Um coral carregando um gigantesco litrão , atravessa cenários onde encontram um apresentador de comerciais de lojas de móveis e um comentarista econômico de telejornal, além de vários figurantes. Lembra o final de uma comédia de Mel Brooks, "Banzé no Oeste", onde sempre vai chegando mais gente no set. A agência é a F/Nazca e a criação é de André Faria e Keka Morelle. Produção da Killers com direção de Claudio Borrelli e fotografia de Ted Abel.
Pode não ser um filme de Mel Brooks, mas é muito bem humorado.

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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Havaianas é samba no pé.

No ar, a partir desta noite, o novo comercial das Havaianas estrelado por Marcos Palmeira e o Grupo Samba na Veia. O filme foi rodado no Centro Cultural Carioca numa autêntica roda de samba comandada por Marcos, que após ser interrompido e repreendido por uma moça, emenda com a dica de um companheiro em "Tristeza", sucesso do carnaval de 1966, de autoria de Niltinho e Haroldo Lobo.
O comercial da AlmapBBDO foi criado por Rynaldo Gondim e André Nassar e a direção é de Clovis Mello da Cine, com fotografia de Adrian Teijido.

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A pantera no cinema curto.

Em estágio terminal de um câncer de cólon contra o qual luta há três anos, Farrah Fawcett hoje parece uma pálida sombra da musa que foi na década de 1970, quando estrelou o seriado "As panteras", de 1976 a 1981. Foi na publicidade que ela deu seus primeiros passos para a construção de uma carreira na TV e, mais tarde, em Hollywood. Já nos anos 1960, sua beleza loura ajudava a vender pasta de dente, xampu e outros produtos.
Com uma biografia (íntima e profissional) apinhada de atropelos, a texana Ferrah Leni "Farrah" Fawcett se formou em Biologia enquanto flertava com o estrelato. De cara, participou de "Jeannie é um gênio". Foi uma entrada curta, como outras que fez na telinha a partir de 1968, ano em que conheceu Lee Majors, astro de sucessos televisivos como "O homem de seis milhões de dólares" e "Duro na queda". Farrah viveu 11 anos com ele. Durante o casamento, ela posou só de biquini para um pôster-calendário que teve milhões de unidades vendidas. O apelo de vendas fez de Farrah um alvo para produtores de séries, que, animados após ver seu desempenho ao lado de Michael York na ficção científica "Fuga do século 23" (1976), de Michael Anderson, enxergaram nela o rosto perfeito para viver uma das detetives de "As panteras", ao lado de Jaclyn Smith, Kate Jackson e Cheryl Ladd.
Sua saída da série, motivada por interesses em investir mais no cinema, abalou sua imagem. Mas, no início da década de 1980, a cabeça de Farrah estava voltada para seu namoro com Ryan O'Neal, um amigo de Majors, com quem ela viveu por 17 anos. O'Neal está a seu lado neste momento de luta contra a doença.
Indicada ao Emmy (o Oscar da TV) pelos telefilmes "Cama ardente" (1984), de Robert Greenwald, e "O sacrifício final"(1989), de David Greene, Farrah atuou com fúria em "O apóstolo" (1997), dirigido e protagonizado por Robert Duvall. Vale a pena rever sua interpretação como a sofrida mulher de um pastor. Vale ainda conferir suas incursões publicitárias. Aprecie a beldade em seus melhores reclames:

No comercial do creme de barbear Noxzema, ela contracena com o astro do futebol americano dos 70, Joe Namath.


Aqui, com ares adolescentes, recomenda Ultra Brite.


Cabelos ao vento com um shampoo que leva seu nome.


Neste, duas panteras em cena anunciam o Mercury Cougar 1975.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Com foco ligado na rejeição.

Diretor de uma das séries mais debochadas da TV nos últimos anos, “Os normais”, e realizador de uma fornada de sucessos infanto-juvenis nos anos 1980, José Alvarenga Jr. aprendeu com a publicidade que, para viver de comerciais, é preciso saber lidar com a rejeição. Mas é raro um produto da grife Alvarenga ser esnobado. Não foi à toa que a TV Globo confiou a ele um dos produtos mais sofisticados da grade de 2009: o seriado “Força-tarefa”, que entra no ar no dia 16, após “A grande família”, tendo Murilo Benício como protagonista. No dia seguinte, o cineasta volta às salas exibidoras com “Divã”, adaptação da peça homônima com Lilia Cabral. Para o segundo semestre (de um ano concorrido), ele reserva na agenda tempo para divulgar o longa “Os normais 2”, continuação do blockbuster de 2003. Nesta entrevista, Alvarenga relembra sua experiência com o cinema publicitário, berço para a inquietação formal que se tornou sua marca na televisão.

No set de "Divã" dirigindo Lilia Cabral.
Seus filmes transitam pela seara da comédia, o mais popular dos gêneros no cinema nacional. De que maneira a publicidade refinou o teu olhar sobre "cinema popular", noção sempre polêmica no Brasil?
Alvarenga - Por um lado a publicidade me fez aprender a lapidar cada vez melhor a estética dos meus trabalhos e isso sofisticou os meus filmes visualmente, por outro lado a publicidade também me deu a percepção da concisão da ideia o que me ajudou muito na sintonia fina do ritmo das minhas comedias.

Como se deu o teu trânsito do cinema para a propaganda após a tua experiência com os filmes dos Trapalhões nos anos 1980?
Alvarenga - Como eu era um diretor contratado para realizar os filmes dos Trapalhões tive sempre a noção de prestar muita atenção no olhar e nas propostas de quem me contratou. Por isso quando fui pra publicidade eu sabia que tinha de dar o meu melhor mas sem esquecer que o meu trabalho era uma encomenda e não uma viagem artística pessoal.

O que a televisão brasileira aprendeu com a linguagem publicitária? Tua experiência publicitária pesa na formatação de uma série como "Força tarefa"?
Alvarenga - Há uma troca permanente entre esses veículos. Ambos dão respostas quase imediatas a apresentação de seus produtos, ao contrario de um filme que leva muito tempo até ser exibido. Eu levei da publicidade para a TV uma constante inquietação formal que desde que estou na televisão tem acompanhado os rumos dos meus trabalhos. Incluo o Força Tarefa nessa questão.

De "Divã" a "Normais 2", como está sua agenda cinematográfica para 2009 e 2010? Novos projetos a caminho? Como foi a maratona de realizar dois longas seguidos?
Alvarenga - Num país onde é tão difícil fazer cinema emplacar dois filmes no mesmo ano é uma benção. Tenho ainda em novembro agendada a filmagem do CILADA.COM com o Bruno Mazzeo.É uma comedia bem irreverente para o publico jovem.Tenho também em desenvolvimento um musical POP com o FREJAT e o Leoni que se chama INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS.

Se você tivesse que destacar um episódio marcante na sua experiência na publicidade, qual seria?
Alvarenga - Quando eu fui jurado do PROFSSIONAIS do ANO ouvi numa conversa no coffee break o OLIVETTO dizer uma frase que me ajudou muito na minha visão do mercado. A frase era : O PROFISSIONAL PUBLICITARIO TEM QUE APRENDER A CONVIVER COM A REJEIÇÃO. Porque o trabalho na realidade pertence ao cliente.

Relembre alguns filmes da carreira publicitária de Alvarenga.

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Corta! parte 2

Neste comercial da BBDO Nova York para a Monster.com, site epecializado em recrutamento profissional, o cara vai realmente precisar de um emprego novo.
Bela idéia, interpretações no ponto e de quebra uma produção respeitável rolando na tela do estúdio, que dura metade do filme.

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Corta!

A atriz Keira Knightley é dirigida por Joe Wright (o mesmo de "Orgulho e Preconceito" e "Desejo e Reparação") neste comercial criado pela Grey londrina para a Women's Aid. No filme a mocinha apanha de tudo quanto é jeito servindo de alerta para a violência doméstica que mata duas mulheres por semana na Inglaterra.
O filme de 2' minutos de duração será veiculado nos cinemas ingleses.
Deu no Bluebus.