quinta-feira, 2 de abril de 2009

Com foco ligado na rejeição.

Diretor de uma das séries mais debochadas da TV nos últimos anos, “Os normais”, e realizador de uma fornada de sucessos infanto-juvenis nos anos 1980, José Alvarenga Jr. aprendeu com a publicidade que, para viver de comerciais, é preciso saber lidar com a rejeição. Mas é raro um produto da grife Alvarenga ser esnobado. Não foi à toa que a TV Globo confiou a ele um dos produtos mais sofisticados da grade de 2009: o seriado “Força-tarefa”, que entra no ar no dia 16, após “A grande família”, tendo Murilo Benício como protagonista. No dia seguinte, o cineasta volta às salas exibidoras com “Divã”, adaptação da peça homônima com Lilia Cabral. Para o segundo semestre (de um ano concorrido), ele reserva na agenda tempo para divulgar o longa “Os normais 2”, continuação do blockbuster de 2003. Nesta entrevista, Alvarenga relembra sua experiência com o cinema publicitário, berço para a inquietação formal que se tornou sua marca na televisão.

No set de "Divã" dirigindo Lilia Cabral.
Seus filmes transitam pela seara da comédia, o mais popular dos gêneros no cinema nacional. De que maneira a publicidade refinou o teu olhar sobre "cinema popular", noção sempre polêmica no Brasil?
Alvarenga - Por um lado a publicidade me fez aprender a lapidar cada vez melhor a estética dos meus trabalhos e isso sofisticou os meus filmes visualmente, por outro lado a publicidade também me deu a percepção da concisão da ideia o que me ajudou muito na sintonia fina do ritmo das minhas comedias.

Como se deu o teu trânsito do cinema para a propaganda após a tua experiência com os filmes dos Trapalhões nos anos 1980?
Alvarenga - Como eu era um diretor contratado para realizar os filmes dos Trapalhões tive sempre a noção de prestar muita atenção no olhar e nas propostas de quem me contratou. Por isso quando fui pra publicidade eu sabia que tinha de dar o meu melhor mas sem esquecer que o meu trabalho era uma encomenda e não uma viagem artística pessoal.

O que a televisão brasileira aprendeu com a linguagem publicitária? Tua experiência publicitária pesa na formatação de uma série como "Força tarefa"?
Alvarenga - Há uma troca permanente entre esses veículos. Ambos dão respostas quase imediatas a apresentação de seus produtos, ao contrario de um filme que leva muito tempo até ser exibido. Eu levei da publicidade para a TV uma constante inquietação formal que desde que estou na televisão tem acompanhado os rumos dos meus trabalhos. Incluo o Força Tarefa nessa questão.

De "Divã" a "Normais 2", como está sua agenda cinematográfica para 2009 e 2010? Novos projetos a caminho? Como foi a maratona de realizar dois longas seguidos?
Alvarenga - Num país onde é tão difícil fazer cinema emplacar dois filmes no mesmo ano é uma benção. Tenho ainda em novembro agendada a filmagem do CILADA.COM com o Bruno Mazzeo.É uma comedia bem irreverente para o publico jovem.Tenho também em desenvolvimento um musical POP com o FREJAT e o Leoni que se chama INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS.

Se você tivesse que destacar um episódio marcante na sua experiência na publicidade, qual seria?
Alvarenga - Quando eu fui jurado do PROFSSIONAIS do ANO ouvi numa conversa no coffee break o OLIVETTO dizer uma frase que me ajudou muito na minha visão do mercado. A frase era : O PROFISSIONAL PUBLICITARIO TEM QUE APRENDER A CONVIVER COM A REJEIÇÃO. Porque o trabalho na realidade pertence ao cliente.

Relembre alguns filmes da carreira publicitária de Alvarenga.

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