sexta-feira, 29 de maio de 2009

"ALIEN" RELOADED

Carl Erik Rinsch
Os estúdios 20th Century Fox confiaram ao diretor de publicidade Carl Erik Rinsch, contratado da produtora RSA de Ridley Scott, a tarefa de refilmar um clássico da ficção científica: "Alien - O oitavo passageiro" (1979). A produção original foi rodada por Scott nos estúdios Shepperton e Bray, na Inglaterra. No fim da década de 1970, o longa-metragem custou US$ 11 milhões e faturou cinco vezes mais apenas nas bilheterias dos EUA, contabilizando uma arrecadação mundial de US$ 184 milhões. O novo projeto, pilotado por Rinsch, pretende abordar a origem da raça extraterrestre, além de apresentar uma nova oficial Ripley (que ganhou fama na pele de Sigourney Weaver).
Confira o trabalho de Rinsch no comercial "Evolution" da Saturn. Uma espécie de aval para a nova empreitada.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O dia em que Steve Jobs recusou o filme “1984”.

Manoel Zanzoti, um dos inspiradores do Cinema Curto, 25 anos depois a sua genial versão para a reunião de apresentação do filme "1984".


Sala de reunião lotada da agência Chiat/Day para a projeção do filme de lançamento “Apple 1984”.
Reunidos Steve Jobs, cliente, Lee Clow, diretor de criação e criador do filme, Ridley Scott, um dos diretores mais renomados do mundo e diretor do comercial.
Em volta, um monte de aspones.
A luz apaga-se e começa a projeção do filme.
Todos tensos.
A projeção repete-se por mais duas vezes.
As luzes se acendem. Silêncio na sala.
Pra quebar o gelo, Lee Clow pergunta ao Steve:
– Que tal, gostou?
Steve balança a cabeça de um lado para o outro:
–Tenho algumas restrições.
Lee Clow –Restrições? Que tipo de restrições?
Steve –Não gosto da cena desse pessoal nesse templo. Parece a Igreja Renascer.
Outra coisa, todos carecas, parecem skinheads.
Eu não quero problemas com ninguém, a minha empresa não tem preconceitos.
Lee Clow – Mas Steve, isso é só para dramatizar.
O Ridley Scott, calado. Só observando. A galera muda.
Steve – E… não é só isso.
Já meio alterado.
– Essa mulher correndo com um enorme martelo nas mãos, sendo perseguida pelos policiais. Arrebenta a tela, porra! Isso incita a agressividade, não passa no Conar.
Lee Clow tenta argumentar, mas é abafado pela voz já alterada do Steve.
– Mas o que me incomoda mesmo é a ideia.
Lee Clow e Ridley Scott falam ao mesmo tempo – A ideia???
Steve: – Sim, a ideia! Essa ideia é do George Orwell, porra!
Isso é cópia.
Ridley Scott já vermelho de raiva, já perdendo a paciência:
– Esta é uma releitura do livro “1984”, uma licença publicitária. Tem tudo a ver com o nosso lançamento.
Lee Clow, interrompe, falando alto – Eu também tenho uma restrição.
Steve e toda a mesa olham para ele.
Lee Clow, completa – Essa marca.
Todos perplexos.
Lee Clow – Uma maçã? Isso é óbvio demais. A empresa chama-se Apple. E mais, uma maçã mordida fica podre rapidamente.
O Ridley Scott, completa – E essas cores dentro. Isso é gay!
Silêncio.

Tem filmes que podem ser lembrados toda a vida e outros que são mortos num piscar de olhos.

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Estrela sobe: um dos fotógrafos mais prolíficos do cinema nacional, relembra sua trajetória na arte publicitária.

Qualquer cineasta ou diretor de publicidade que apresente um filme fotografado por Raimundo Nonato Estrela Júnior como cartão de visitas, certamente vai arrebatar o olhar de seu cliente. Diretor de fotografia habitual de realizadores como José Joffily e José Alvarenga Jr., Nonato Estrela debutou no cinema ainda na era Embrafilme. Após um mergulho na TV, ele se reinventou na Retomada, espreitando o intimismo em longas-metragens autorais e flertando com a objetividade na seara do filme-pipoca. Nesta entrevista, ele relembra seu passado no mercado
publicitário e as manhas que aprendeu clicando comerciais.

O que a publicidade te ensinou sobre a arte de fotografar?
NONATO ESTRELA: A publicidade me ensinou a pensar mais os detalhes. Você tem que ser mais criterioso com isso. Você desenvolve um pensamento e uma preocupação com pequenos detalhes e, com o tempo, você tem que conciliar rapidez e qualidade, sem esquecer os detalhes. Você trabalha para várias pessoas, não trabalha para um só como no cinema . Agradar a vários é mais difícil...E outra coisa é a quantidade de filmes diferentes que você faz. Cada produto sugere um estilo, uns mais limpos outros mais sujos, uns mais sofisticados e outro mais populares. Isso faz você ficar mais experiente.

Que lições do cinema você levou para a publicidade?
ESTRELA: A continuidade de luz e o tempo dramático. Sempre os coloristas me disseram isso. Os meus cortes de luz entre os takes são iguais. É só copiar e colar. O drama me ensinou a obedecer o eixo de luz, acho que levei isso para publicidade principalmente depois que os comercias passaram a usar as referências cinematográficas.
Respeitar a principal fonte de luz é fundamental. Eu vim do cinema . Foi lá que aprendi a fotografar, fui assistente de grandes fotógrafos, aprendi muito com eles.

Quando começou sua incursão no cinema publicitário? O que a publicidade representou na era
ESTRELA: Na era Collor, eu voltei para a TV com o Guel Arraes. Já tinha trabalhado com ele em "Armação Ilimitada". Guel me chamou de volta. Fiz Programa Legal, Tv Pirata, Casseta e Planeta. Tudo estava começando...
Junto pintou a publicidade. Juarez Precioso me deu a oportunidade de fotografar um comercial, o que foi maravilhoso. Adorei fazer e conheci um instrumento chamado telecine, que depois o cinema incorporou. Quando o telecine chegou no cinema eu já conhecia. Tudo está interligado, tudo audiovisual, tudo farinha do mesmo saco...
São diferentes formas usando a mesma matéria prima.

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Qual foi a situação mais difícil com a qual você já se deparou em um set de cinema e em um set de publicidade? Como resolveu esse desafio?
ESTRELA: Fazer dia de noite e noite de dia. Sempre entramos em situações difíceis em ambas atividades. Em um longa recente, chamado "Sem Controle", da Cris Damato, tínhamos dez dias de filmagem na mata, à noite. Havia uma cena de perseguição no escuro total. O problema era: se filmarmos do jeito que estava escrito no roteiro, eu teria que iluminar quilômetros de mata e passaríamos um mês para resolver essa questão. Se filmássemos com um efeito fotográfico chamado noite americana (dia por noite) resolveríamos em cinco dias. O produtor adorou e a
Cris também. Fiz uns testes, funcionou e resolvemos dessa maneira. Acho que ficou bacana e deu um charme ao filme. Em publicidade, uma decisão como essa fica mais difícil, tem muita gente para opinar, a produtora,a agência, o cliente...

Você é o fotógrafo-assinatura de José Joffily no cinema. Como é sua parceria criativa com o diretor de "2 perdidos numa noite suja"?
ESTRELA: Essa parceria envolve convivência, amizade e a nossa química. O Joffily já foi fotógrafo de cinema e de jornalismo. Aí, fica mais fácil. Ele entende a minha aflição. É um diretor que pensa com a câmera. O diretor é um ser solitário. A decisão final esta nas mãos dele - a criação pode ser coletiva mas a decisão é de um so, é um ato solitário. Todos os departamentos trabalham antes: figurino, maquiagem, cenografia, arte. Mas a direção e a fotografia são feitas na hora. Por mais ensaio que se faça, é nos movimentos dos atores que se cria o drama. É a arte do fazer agora. Nós sabemos disso e respeitamos um ao outro nesse momento. A gente se entende no olhar.

Que comerciais você consideraria uma obra de arte?
ESTRELA: Têm vários comercias que adoro. O problema é que comercial não tem nome ou titulo como um filme . Tem um antigo do perfume Egoiste que adoro. Tem um da Telecom Argentina em que todos os personagens bocejam, não canso de ver no Youtube, acho super inteligente. Dos diretores, gosto do Michel Gondry. Tem um comercial da Smirnoff dele que é o máximo. O Ridlley Scott, eu adoro. Pode ser meio antigo mas eu adoro. Dos brasileiros, não vou falar que posso chatear os amigos se esquecer alguém.

O que um fotógrafo iniciante na publicidade deve conhecer de referência estética para produzir suas imagens?
ESTRELA: Fotógrafo iniciante deve ter fome de imagem, tem que comer livros de fotos, produto, jornalismo, pintura e muito cinema. No cinema, tem tudo. Tem música, arte, pintura, figurino, luz muita luz... Eu diria: vá ver "Cidadão Kane", "... E o vento levou", "Casablanca", "Lawrence da Arábia", "Apocalypse Now", "A marca da maldade"... Sei lá, há tanta coisa . Eu me lembrei de um filme maravilhoso, especialmente a fotografia, "Cinzas no paraíso", do maravilhoso fotógrafo Nestor Almendros*. Esse todo fotógrafo tem que ver.


* O filme de Terrence Malick deu ao catalão Nestor Almendros o Oscar de Melhor Fotografia em 1979.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Audrey Tautou, a estrela da vez da Chanel.

Coco Chanel criou a fragrância em 1921. De lá pra cá, belas mulheres já emprestaram sua beleza e sensualidade à marca como, Catherine Deneuve e Nicole Kidman. Até Marilyn Monroe declarou certa vez que usava para dormir apenas duas gotinhas de Chanel nº5.
Agora é a vez de Audrey Tautou, dirigida neste novo comercial por Jean-Pierre Jeunet, o mesmo de “O fabuloso destino de Amélie Poulain”. Ao som de Billie Holiday em “I'm a Fool to Want You”, numa viagem de trem que parte de Nice, um cara encontra a mocinha no corredor e fica tonto com seu perfume. Esse é o trampolim que os leva num passeio de barco pelo Estreito de Bósforo, em Istambul. O que um perfume é capaz de fazer!
Mas não para aí. Tautou chega aos cinemas este ano no papel de Chanel, dirigida por Anne Fontaine.

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Gente e bichinhos juntos nos novos comerciais do Unibanco.

Bichinhos contracenam com gente nos novos comerciais do Unibanco. Em dois filmes de 30" e duas vinhetas de 10" a F/Nazca dá segmento a campanha dos Canais 30 horas. Num filme a menina procura os "bichinhos" do Unibanco, não encontra, e acha que é propaganda enganosa. No outro um garoto vê "bichinhos" que procuram se esconder dele. Muito divertidos.
Criação de Fabio Fernandes, Marcelo Nogueira e Alexandre Pagano. Produção da O2 e direção de Alex Gabassi.

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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vicente Amorim - rigor não é talento.

Recém-chegado ao formato DVD, "Um homem bom" ("Good"), com Viggo Mortensen, marcou a estreia do diretor Vicente Amorim no cinema internacional, após suas primeiras experiências em longas-metragens: "O caminho das nuvens" (2003) e "2000 Nordestes" (2000). Preparando-se para filmar "Corações sujos", baseado na obra homônima de Fernando Morais, Amorim fez carreira na publicidade, pilotando comerciais e hoje é sócio e diretor da Mixer . No papo a seguir, ele fala de seu tráfego entre essas duas modalidades do ofício de filmar: contar histórias a partir de um compromisso com a arte de narrar e dirigir tendo como meta fazer vender um produto.

Como a publicidade aproveitou a tua experiência com o cinema e vice-versa? Como as tuas influências cinéfilas (os filmes que mais te alimentaram) migram para a publicidade quando você dirige comerciais?
Eu fui um diretor de publicidade muito bissexto. Dirigi comerciais no começo dos anos 90, na Made for TV, com o Paulo Peres como atendimento, depois fiquei quase quatro anos sem fazer um comercial sequer (por estar envolvido com longas e por estar fazendo TV), voltei por uns dois anos, na Tibet (de novo com o Paulo Peres), parei mais uma vez por três anos, para fazer o 2000 Nordestes e O Caminho das Nuvens, e voltei a dirigir comerciais entre 2003 e 2006 na Mixer, parando, de novo, para me dedicar a Um Homem Bom e aos outros projetos de longa da Mixer. Até o começo dos anos 90 o mundo publicitário era, pra mim, um mistério, até que, por causa do Plano Collor, eu (e mais um monte de gente) fui jogado de sopetão neste mundo. Vale lembrar que vivia-se a "farra" dos videoclipes nesta época e eu fiz vários - alguns até fora do Brasil. Talvez, nos videoclipes eu tenha tido a oportunidade de me testar esteticamente de um modo mais solto do que na própria publicidade. Isto tudo posto, por ter minhas referências visuais muito calcadas nos filmes que vi ao longo da minha vida, devo dizer que, se houve influência, foi muito mais na mão cinema-publicidade do que vice-versa. Os meus melhores comerciais (uns 3, rsrsrs) sempre foram comerciais onde o forte era a atuação; acho que meu amor por Resnais, De Sica e Altman ajudaram muito nesta hora. Esta via se inverte para mim (vira publicidade-cinema) do ponto de vista técnico. Em publicidade temos acesso a brinquedos caros e a responsabilidade de entregar um produto de qualidade impecável num espaço de tempo muito curto. Acho que isto tem muito a ver com a melhora técnica e estética do cinema brasileiro nos últimos dez, quinze anos. Não se pode, no entanto, deixar esta "qualidade" virar uma prisão. Rigor não é talento.

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Alguma mais você se sentiu dirigindo cinema quando fazia algum comercial?
Não. Embora no cinema tenhamos uma responsabilidade para com nós mesmos, o público e os produtores, o processo é (mesmo num filme com pretensões comerciais) muito mais autoral, mais solto. Na publicidade a vontade e o briefing da agência e do cliente são determinantes. Um bom diretor de publicidade tem que ter (muito) talento, mas é um cão de aluguel.

"Um homem bom" ("Good") acaba de sair em DVD. Como você avalia a tua experiência como realizador no cinema internacional? Como você avalia a carreira de "Um homem bom" no exterior?
É cedo para avaliar a carreira de Um Homem Bom no exterior, pois, por estas maluquices da distribuição independente, embora tenha saído em DVD no Brasil dia 29/04, ele só está saindo na Europa agora (foi lançado, com ótimas críticas, na Inglaterra há duas semanas e sai na Espanha, com 80 cópias, no dia 22 de maio, e ainda está abrindo em muitas praças nos EUA, por exemplo). O que rolou até agora foi ótimo, a receptividade ao filme foi muito boa.
Eu nunca pensei em ser "diretor internacional", nem sei direito o que isto significa. Na prática foi uma experiência ótima. Poder contar uma história de época, mas com reverberações sobre o mundo de hoje, com um elenco de primeira e com o quádruplo de dinheiro do meu filme anterior não podia ser ruim. Se vierem mais histórias como essa para contar estarei dentro, mas fazer filme estrangeiro por fazer, isto não.

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O que Viggo Mortensen e Jason Isaacs te ensinaram sobre a relação com atores em um set em língua inglesa?
Aprendi muito com eles. Eles me ajudaram a não temer a matriz teatral do material original e a procurar uma "arquitetura da palavra" com as quais não estava acostumado. Meus projetos anteriores eram muito "cinematográficos", no sentido de terem pouco diálogo, de serem filmes mais visuais e menos "falados". Foi um privilégio trabalhar com os dois. Ao mesmo tempo, devo dizer, foi sempre uma via de mão dupla. As histórias de horror que alguns diretores têm com atores hollywoodianos não aconteceram neste filme. Os dois (e o resto do elenco) estavam sempre muito ávidos de direção e gostavam do caminho que eu apontava, desde os ensaios na pré-produção (que, aliás, foram fundamentais).


Como está o projeto da adaptação de "Corações sujos"? Quando você filma? Há algum outro projeto seu, para a TV ou para cinema, antes de seu mergulho no universo de Fernando Moraes?
Corações Sujos, que tem roteiro do meu parceiro de mais de vinte anos David França Mendes, está com metade de seu orçamento captado. Esperamos poder filmar ainda este ano. Já começamos a fazer casting no Japão e os diálogos japoneses foram adaptados pela mesma escritora que fez o Cartas de IwoJima. A guerra dentro da colônia japonesa em São Paulo que começou depois da Segunda Guerra Mundial entre vitoristas e derrotistas é a base do livro do Fernando Morais e do meu filme. Vai ser um thriller com a fundação estrutural de um filme de amor - um filme passado nos anos 40 que fala de assuntos dos mais contemporâneos: racismo, fundamentalismo, intolerância e a manipulação da verdade. Acabei hoje a revisão do último tratamento e estou muito confiante.
Tenho dois outros projetos de longa rolando (um deles, de novo, com Wagner Moura) e um projeto de TV em parceria com a França que ainda está em desenvolvimento. Conseguir grana nunca é fácil, mas está sendo um ano animado!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"X-Men origens: Wolverine" - produtor, diretor e ator falam com exclusividade ao Cinema Curto.

Emoticons para o Messenger com a carinha de Wolverine, um avatar com as feições do mutante para jogar "Second life" na internet e até um aquário tamanho GG simulando o tanque no qual o esqueleto do herói é revestido pelo metal adamantium. Tudo isso faz parte da estratégia de marketing da Fox para promover "X-Men origens: Wolverine", a primeira superprodução na leva de blockbusters hollywoodianos para o verão de 2009. Já em cartaz nos cinemas brasileiros, de olho neste feriadão do Dia do Trabalho, o longa-metragem está sendo alvo de uma ação viral na rede, com wallpapers em oferta em vários sites de entretenimento e outros mimos para fazer a festa dos quadrinhófilos. A Fox tem topado tudo para guerrear contra os piratas que se apoderaram de seu produto mais valioso nesta temporada, distribuindo o longa ilegalmente via downloads ilegais.

- Precisamos mobilizar os espectadores para não ficarmos atados nas mãos desta infeliz situação de pirataria. Até agora, a tecnologia do 3D tem se mostrado como a única solução possível contra os piratas, uma vez que é impossível fazer vazar via web um filme com imagens concebidas em terceira dimensão - diz Lauren Shuler Donner, produtora de "X-men origens: Wolverine" em entrevista concedida ao "Cinema curto" nos estúdios da 20th Century Fox, em Los Angeles. - Trabalhamos duro para filmar a história de Logan. É um crime saber que esta saga pode não ir à frente por falta de espectadores, uma vez que o filme está nas prateleiras dos vendedores de DVDs piratas.
Mulher do lendário diretor Richard Donner, realizador de "Superman - O filme" (1978) e da franquia "Máquina mortífera" (1987-1998), Lauren sabe que seu "produto" virou uma febre ilegal, apoiada no carisma do galã australiano Hugh Jackman, seu protagonista. No último fim de semana, a versão "alternativa" do filme, à venda nas bancas de camelôs do Rio, chegou a ser exibida nas TVs das comunidades do Complexo do Alemão que dispõem da chamada GatoNet, a TV a cabo ilegal gerida por traficantes. Mas não se trata do corte final da produção, e sim de uma edição não finalizada, sem tratamento de efeitos especiais para a trama que disseca o passado do super-herói criado em 1974 por Len Wein. Em diálogo com as HQs best-sellers "Wolverine: Origem" (2001), de Paul Jenkins e Andy Kubert, e "Arma X" (1991), de Barry Windsor-Smith, o longa de Hood, cujo orçamento não foi divulgado, mostra como Logan, uma criança do interior do Canadá, transformou-se em uma máquina de matar a serviço de um projeto secreto do governo de seu país.

- Imagina se eu puxasse seu caderno de anotações no meio desta entrevista e publicasse apenas o que você escreveu do papo comigo assim, sem revisão ou tratamento. Isso arruinaria a sua harmonia. Foi isso o que os piratas dizeram comigo - diz Gavin Hood, diretor de "X-Men origens: Wolverine". - Eu soube do vazamento de uma cópia inacabada em uma noite em que estava aqui na Fox, finalizando meu longa. Fiquei em choque, procurando soluções para minimizar os danos.

Também produtor do filme, que foi rodado em locações na Nova Zelândia, na Austrália e no Canadá, com tomadas extras em Nova Orleans, na Louisiana, Hugh Jackman já atacou muito a pirataria desde que soube dos males que assombram a quarta aventura cinematográfica de Wolverine. Mas hoje, confiante no poder de fogo de uma trama elaborada em diálogo com as HQs best-sellers "Wolverine: Origem" (2001), de Paul Jenkins e Andy Kubert, e "Arma X" (1991), de Barry Windsor-Smith, ele prefere fazer reflexões estéticas a denúncias.
- Eu amo filmes de ação, mas só consigo me relacionar com aqueles que buscam algo mais do que a violência. Wolverine tem esse algo mais na relação fraterna cheia de ódio que tem com Dentes de Sabre (vilão vivido por Liev Schreiber, diretor de "Uma vida iluminada") e em sua batalha pessoal para aquietar sua besta interior. Ele busca a paz, mas se sente mais vivo do que nunca quando luta com alguém.

A MPM Propaganda, autora de algumas das ações de marketing citadas acima, também criou intervenções do personagem central do filme no conteúdo de diversos programas da rede Record. Veja no vídeo abaixo.