quinta-feira, 4 de junho de 2009

Claudio Torres lança filme com a "invisível" Luana Piovani e confessa que a publicidade também o ensinou a filmar louras.

Claudio, Luana e Selton no set - divulgação/Ralph Strelow










Com o compromisso de elevar a média de ocupação do cinema brasileiro em circuito com "A mulher invisível", que chega às telas no dia 5, Claudio Torres tem pela frente a tarefa de lotar salas de exibição com sua nova comédia, estrelada por Selton Mello e Luana Piovani. Pelas análises do mercado cinematográfico, seu quarto longa-metragem _ após "Traição" (1998), "Redentor" (2004) e "A mulher do meu amigo" (2008) _ tem fôlego para se tornar um blockbuster. Essa cobrança de resultado evoca a experiência pregressa de Torres com outro tipo de cinema: o publicitário. Na entrevista a seguir, o cineasta, filho de dois titãs do teatro nacional, Fernanda Montenegro e Fernando Torres (1929-2008), relembra sua trajetória pela publicidade e faz avaliação estética da arte de filmar comerciais.

Você é um diretor de histórias sobre descontroles emocionais e afetivos. É assim desde "Traição". Seus personagens perdem o juízo e viram lobo do homem em situações de pressão extrema. Na publicidade, você já levou essa reflexão, recorrente no cinema, para algum comercial? É possível ser autoral rodando propaganda?
CLAUDIO TORRES: Esteticamente, sim. Em termos narrativos também, mas a criação autoral, propriamente dita é feita pelo redator então, para que exista espaço para o diretor de publicidade ser autoral ele precisa ter uma interação muito boa com o criador, a agência e uma confiança muito grande do cliente.
Tive poucas experiências assim de participação na criação dos filmes, para citar alguns: na W/Brasil com o Washington (uma campanha de guaraná Antartica), na DM9 (um de cerveja Antarctica) com o Nizan e com o Silvio Matos (Guia da Vida Saudável do Globo).



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Cheguei a fazer uns filmes estranhos. Tem um de armazenamento de dados pra Telefonica, que eu gostei muito.

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De que maneira a publicidade serviu de balão de ensaio para o tipo de cinema que você faz hoje na Conspiração?
TORRES: A publicidade me ensinou a filmar. Colocar um filme no orçamento, trabalhar com equipe, conhecer o tamanho do plano que você precisa para a cena, montar, planejar uma cena de efeito, trabalhar com a música. Além de aprender a iluminar carros e louras.


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O mercado espera muito de "A mulher invisível". Os mais de 15 mil pagantes* das prés compensaram essa expectativa. Como está a pressão em relação ao sucesso do teu novo longa-metragem, neste cenário pós-Divã e pós-"Se eu fosse você 2"?
TORRES: Acho que é mais torcida do que pressão. Seria bom se este fosse um ano de bastante público pro cinema brasileiro.

Que comerciais foram determinantes na tua formação como publicitário?
TORRES: Acho que a formação tem a ver com aqueles filmes que você viu quando estava começando, e isso no meu caso é ali entre 80 e 92, ou seja, há bastante tempo atrás. Que eu me lembre assim , os dois primeiros da Smirnoff internacionais. Um da Pepsi do Fernando Meirelles, um Rio Sul do Breno e aquele que o cara atravessa o deserto, chega no bar e pede um saco de batata frita - provoque sua sede até não poder mais e aí tomava alguma coisa que eu não lembro, era absurdo, sensacional.
*até 31/05/09

Pepsi - Roberto Carlos / dir: Fernando Meirelles
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"Redentor" te apresentou como um diretor esteticamente ambicioso para o cinema nacional. Na publicidade brasileira hoje há um investimento estético forte? O que se inventa em termos de narrativa?
TORRES: O momento nunca esteve mais fecundo. A narrativa dos comerciais, os tempos cinematográficos, os enquadramentos mais abertos e a direção de arte estão cada vez mais elegantes e inteligentes. Explorando cada vez mais o nonsense, que sempre achei o ponto alto da narrativa publicitária. A pós produção deixou de ser um bicho de sete cabeças e hoje permite narrar qualquer ideia.

Relembre um episódio marcante do teu histórico na publicidade.
TORRES: Episódios marcantes são sempre os mais delirantes, coisas da juventude, em 98, eu e o Lula Buarque como diretores, Breno Silveira era o fotógrafo e Tony Vanzolini o diretor de arte. Juntos vimos pousar o helicóptero do exército tunisiano que nos levaria para filmar uma caravana cenográfica para um comercial de Antarctica no meio do Saara.

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