terça-feira, 7 de julho de 2009

Fernando Meirelles no horário nobre: "Meus melhores comerciais foram aqueles feitos na raça"

Hoje, depois de "Casseta & Planeta", Fernando Meirelles vai levar ao horário nobre da TV GLOBO uma incursão carregada de metalinguagem na obra de Shakespeare: a minissérie "Som & fúria". A intimidade do diretor de "Cidade de Deus" (2002) com a tela pequena data dos tempos em que ele debutou na publicidade. Na entrevista a seguir, Meirelles conta ao CINEMA CURTO como se dá sua relação com a propaganda e antecipa seus futuros projetos como realizador.

Depois das experiências de "Cidade dos homens", você volta à TV com o elenco dos sonhos de qualquer diretor. Como foi o trabalho com a trupe de "Som & fúria"? Como foi seu trânsito pelo humor?
Fernando Meirelles: Comecei essa carreira fazendo humor, tanto na Olhar Eletrônico, a primeira produtora da qual participei até minha passagem pela publicidade. Me sinto muito a vontade fazendo rir, mais do que ao fazer drama. Quanto ao elenco é dos sonhos mesmo. Você imagina um tom para cada texto e eles invariavelmente entregam muito mais. A Andréa Beltrão é assustadora. Pedro Paulo não tem uma respiração que não seja precisa e genial. Felipe Camargo foi o Dante perfeito. Diria que a turma toda deixou meu trabalho muito mole.

De que maneira seu trabalho pregresso em publicidade te deu maior intimidade com a cartilha da TV? Dos comerciais que fez, quais foram os mais ambiciosos esteticamente?
Meirelles: Acho que a publicidade me ensinou pelo volume de problemas e filmes que fiz. Filmei todo tipo de filme, na terra, no ar ou na água, com efeito, com piadas, com animais e com não atores. Esta quilometragem de negativo gasto me deixou seguro ao menos na parte técnica deste ofício. Os filmes mais ambiciosos que fiz foram os que fui rodar praticamente sem equipe. Na raça. Foram os mais gostosos de serem feitos e com mais alma também.

O projeto de adaptação do romance do Jorge Furtado continua de pé? Quando saem as filmagens? Novos projetos internacionais à vista?
Meirelles: Esse projeto com o Jorge é internacional. Se der certo é para ser rodado no início do ano que vem.

Como é a sua relação com a TV como espectador? É noveleiro, fã de seriado?
Meirelles: Acho que assisto TV mais do que gostaria, sempre por um pouco de inércia ou preguiça no final do dia. Novela não consigo assistir nem 2 minutos. Acho tudo muito artificial e meu lado crítico não desliga, reclamo da luz, da interpretação, do texto, da roupa, até ser expulso da sala ou alguém mudar de canal. Séries vi algumas boas, mas não sou um seguidor. Assisti Roma e essa, pela produção me pegou. Twin Peaks também me pegou. Ganhei os DVDs de In Treatment e também me interessei muito. Adoraria fazer uma série tipo saga, nos moldes de Roma, sobre a história dos negros no Brasil, começando nas tribos onde eram capturados até uma alforria de um descendente no Brasil. Uma espécie de "Roots" brasileiro.
Uma hora me animo e levanto o projeto.

6 comentários:

  1. Fernando Meirelles é um dos meus diretores favoritos, adorei a matéria, parabéns! =]

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  2. Chamo isso de Tela de Aula.
    Dez, 2P, dez.

    =)

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  3. Além da visão objetiva e coerente do Meirelles, mais uma aula! E a Andréa Beltrão é isso mesmo: um absurdo de talento!

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  4. nossa, muito bom! realmente, aqueles atores... deve ser bom trabalhar com gente boa... auhuahauhaua
    muito legal a entrevista!
    obrigada pela visita no bicoitos sortidos! ;)

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