quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dois craques da Criação e as mulheres.

Manoel Zanzoti e as suas paixões na tela grande.

AS MINHAS NAMORADAS DO CINEMA.

Eu tinha uns 3 anos e meio, quando fui pela primeira vez ao cinema com a minha avó.
O filme era o “Branca de Neve e os 7 anões” uma produção e animação de Walt Disney.
Aquela personagem era meiga, doce e bonita. Saí do cinema apaixonado.
Aos meus 7 anos, namorei com a Gina Lollobrigida. O filme era “O trapézio”.
Ela contracenava com Burt Lancaster que, logo no começo do filme, dispensei-o e assumi o papel do ator. Mas teve também “Fanfan la Tulipe”, “Pane, amore e fantasia”.
Depois veio a Doris Day, a Jane Calamity no filme “Ardida como pimenta”. Ela ganhou um Oscar interpretando e cantando “Secret love”. Teve também “O homem que sabia demais” com James Stewart. A Doris fazia o papel de sexy e ingênua e eu já estava com 10 anos. Escondido num balcão de um cinema do meu bairro por que era menor de idade, vi extasiado a Brigitte Bardot em “E Deus criou a mulher”. Era linda, sensual e provocante. E por fim, Jeane Moreau em “Les amants” de Louis Malle, “Jules e Jim” de François Truffaut. Bonita, segura de si, lábios carnudos e um olhar nouvelle vague.
Os filmes e as personagens que essas 5 atrizes interpretaram me influenciaram por toda a minha vida. Mas… devo confessar que não fui só fiel a elas. Tive muitas outras: Catherine Deneuve em “A bela da tarde” de Buñuel e “Fome de viver” do Ridley Scott.
Ornella Muti em “Crônica de um amor louco” do Marco Ferreri. Natasha Kinski em “Paris, Texas” do Win Wenders. E maravilhosa em “Cat People”. Sue Lyon em “Lolita” de Stanley Kubrick. Marilyn Monroe em “O pecado mora ao lado” de Billy Wilder, dirigido por John Huston, “Nunca fui santa” de Joshua Logan,” Os desesperados” escrito por Arthur Miller e dirigido por John Huston. Elizabeth Taylor em “Um lugar ao sol”, “Quem tem medo de Virginia Wolf”, “Disque Butterfield 8”. Sophia Loren em “Matrimônio a italiana” e “La Ciociara” dirigido pelo Vitorio de Sica, “Una giornata particolare” dirigido pelo Ettore Scola. E hoje, apesar de tê-las traído, me sinto perdoado por aquelas que sempre amei. Afinal, “La vita é un film”.

Edmar Salles e a estrela que o chato recusou.

CHATOS INESQUECÍVEIS.

Em propaganda, como em qualquer profissão, tem muita gente boa mas também tem muito chato.
Alguns deles eu diria que são inesquecíveis.
Trabalhei em uma agência cujo produtor do RTV tinha um mau hábito que enchia o saco da criação. Marcava as reuniões de pré produção com a produtora e a agência e logo em seguida com o cliente.
Ora, quando a gente recebia o rolo de casting vinha de tudo e essa atitude nos impedia de dar uma peneirada e apresentar uma boa seleção ao cliente. Apesar da nossa insistência ele nunca se corrigiu.
Um dia aconteceu o que eu temia.
Ele chegou em cima da hora e eu não pude ver o casting previamente. Tive que ver junto com
o cliente. Tratava-se de um filme de absorventes e o roteiro pedia uma mulher fina, elegante e boa atriz. No meio da exibição dos testes fui surpreendido por uma moça completamente fora dos padrões.
Uma gostosona brega com pinta de miss periferia.
Preciso dizer quem o cliente escolheu?
Senti que foi um caso de identificação à primeira vista, o que dificultaria a solução. Levamos seis horas, eu disse seis horas, para demovê-lo da escolha e aprovar a modelo adequada. Como o cliente estava sozinho contra todos, acabou concordando. Visivelmente a contragosto. O filme foi feito e ficou belíssimo. Irretocável. Apresentei ao cliente dando a aprovação como certa.
Já tinha esquecido a tal reunião. Errei na mosca.
O cliente demoliu a modelo. Disse que era pálida, anoréxica, deselegante, sei lá que besteiras mais. Opinião endossada por um séquito de assistentes previamente brifadas por ele. Tentamos defender o trabalho mas não havia argumento que o convencesse.
A discussão estéril já durava duas horas e a paciência da equipe envolvida tendia para o deboche.
– Não entendo porque vocês não aceitaram a minha sugestão. A mulher que eu escolhi (olha
o nível) é uma égua – disse o cliente.
– Pangaré, mas é égua - ironizou o diretor.
Para encurtar a história, recusou o filme.
Disfarcei minha frustração me despedi dos presentes alegando outros compromissos. O cliente me estendeu a mão com um sorriso sardônico que escancarava sua vingança. Não se dando por satisfeito ainda tentou me colocar contra a parede diante da plateia.
– Como é meu jovem criativo, chegou a alguma conclusão aproveitável?
– Cheguei sim. Nós nunca vamos brigar por causa de mulher.
Saí da sala com a sensação de que ele não entendeu muito bem.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Marcos Jorge: filme lindo e perfeitinho é minoria.



Consagrado como diretor de prestígio com o
premiadíssimo "Estômago", o paranaense Marcos Jorge, que fez carreira em publicidade no Brasil e na Itália, sobe a Serra Gaúcha nesta sexta-feira para apresentar seu novo longa-metragem; "Corpos celestes". O filme foi dirigido por ele em parceria com o diretor Fernando Severo, realizador dos curtas-metragens "Visionários" e "Paisagem de meninos". A trama aborda as inquietações amorosas e existenciais de um astrônomo, Francisco, interpretado por Dalton Vigh. Na entrevista a seguir, Jorge explica a gênese do projeto e faz um retrospecto de sua trajetória na direção de comerciais.

Qual é a tua expectativa para Gramado com "Corpos Celestes" após a consagração de "Estômago" em festivais das mais diferentes latitudes do Brasil e do mundo?

Marcos Jorge: Tenho grande curiosidade em saber como as pessoas verão o "Corpos Celestes" depois da relativa notoriedade que alcancei com o Estômago. Não vai ser fácil comparar os filmes, que são bastante diferentes entre si, e ainda mais difícil vai ficar a tarefa dos críticos e jornalistas que procurarem no Celestes uma continuidade em relação ao Estômago. Antes de mais nada, "Corpos Celestes" é o meu "primeiro" longa-metragem, pois o filmei antes do Estômago (embora o esteja lançando depois). Além disso, divido a direção com outro cineasta, o que obviamente condiciona o filme a não ter somente o meu ponto de vista sobre a história.
Quanto à expectativa em relação ao lançamento no Festival, devo dizer que chego a Gramado com a mesma expectativa com que cheguei no Rio com o Estômago: com a expectativa de que o filme seja entendido e que encontre seu público.

Como "Corpos celestes" se enquadra no teu currículo de realizações?
Jorge: Como expliquei, filmei o Corpos Celestes antes do Estômago, na realidade alguns meses antes. No início de 2005 minha produtora, a Zencrane Filmes, venceu dois editais de produção de filmes de baixo-orçamento, um com o projeto do "Corpos Celestes" e outro com o projeto do "Estômago". O Celestes foi filmado antes, em fins de 2005 e início de 2006. Estômago foi filmado em seguida, uns dez meses depois, praticamente com a mesma estrutura do Celestes, mas por uma série de razões acabou sendo lançado antes.

Existem concepções estéticas autorais possíveis no cinema publicitário do Brasil e da Itália?
Jorge: O conceito de autor é muito diferente no cinema publicitário e no cinema "propriamente dito". Quando comento meus filmes, gosto de dizer que os que gostam deles devem cumprimentar a todos os envolvidos (atores, diretores de departamento, artistas e técnicos em geral) pois o mérito é compartilhado, mas os que não gostam devem reclamar somente de mim. Ao assinar como diretor um filme, tomo para mim a responsabilidade de dar a palavra final sobre tudo, coisa que não acontece no cinema publicitário. O filme publicitário, antes de mais nada, tem uma finalidade específica, e na imensa maioria das vezes tem seu roteiro criado por uma agência. É claro que interfiro no roteiro e dou minha leitura em relação à sua materialização, e às vezes até discuto com os demais profissionais envolvidos, mas a última palavra, o "final cut", é da agência e do cliente, que em última análise são os "donos" do projeto. Assim, a autoria do filme acaba compartilhada não só no que tem de positivo, mas em tudo. Mesmo assim, é possível, para um diretor publicitário, deixar sua "marca estilística" nos trabalhos que faz. No Brasil, isso é
um pouquinho mais fácil do que na Itália pois aqui os diretores montam seus filmes, ou seja, entregam para a agência o produto montado, enquanto que na Itália, na maioria das vezes, é a agência que dá o corte final do projeto.





De que maneira um exercício mais autoral como "Estômago" te rende subsídios estéticos para filmar comerciais?
Jorge: Filmar longa-metragens de ficção me fez, sem dúvida nenhuma, um diretor muito mais maduro do que antes de fazê-los, quando tinha feito somente comerciais, curta-metragens e documentários. Então, antes de mais nada, hoje enfrento a filmagem de comerciais com uma habilidade narrativa e na direção de atores que antes eu não tinha, e isto me deixa mais seguro. Além disso, sempre levei as experiências de um gênero para outro, e quando fazia filmes experimentais (na década de 90 ganhei vários prêmios deste gênero), por exemplo, neles eu testava técnicas e ideias que acabava usando no trabalho comercial. O mais interessante é que o contrário também é verdade: às vezes, experimento uma técnica no comercial que depois acabo usando na ficção. Um exemplo foi o modo como me defini pelo ator-mirim Rodrigo Cornelsen para viver o Chiquinho de "Corpos Celestes". Eu gostara bastante do Rodrigo, mas ele não tinha nenhuma experiência anterior. No momento em que eu deveria escolher o ator, surgiu um comercial em que deveria usar um menino da idade dele: não tive dúvida, coloquei-o no comercial e ele saiu-se esplendidamente, o que me fez ter certeza de que ele daria conta do personagem no filme.

Como a Itália, onde você estudou, lida com essa pecha de "cinema publicitário" dado a filmes de diretores que flertam com as duas áreas da produção audiovisual: a produção de comerciais e a produção de filmes narrativos de ficção ou documentário para salas de exibição?
Jorge: Na Itália eu quase poderia dizer que esta "pecha" não existe. Nos dez anos em que vivi lá nunca li uma crítica que fizesse menção ao fato do diretor de um filme ser também diretor de comerciais (muito embora isso seja extremamente comum). Mas devo dizer que também aqui no Brasil este assunto me parece bastante fora de moda, e na minha opinião sobretudo por uma razão: hoje, não existe mais um "estilo" publicitário definido. Basta dar uma olhada rápida pelos comerciais hoje veiculados para perceber que aquele filme lindo, perfeitinho, de luz platinada, onde todas as pessoas são perfeitas, constituem a "minoria" dos materiais. Hoje, inclusive, vivemos a moda da fotografia desaturada, quase sem cor. A publicidade se apropria constantemente da linguagem dos filmes de ficção e documentais, e a recíproca também é verdadeira, os filmes se apropriam sem medo da linguagem rápida e cortante dos comerciais. Além disso, uma grande parcela dos cineastas relevantes também dirige comerciais. Mas,
como é fácil e cômodo utilizar a "pecha" de "estética publicitária" para criticar o trabalho de um diretor, algumas pessoas ainda se utilizam deste recurso, quase sempre sem detalhar onde a tal "estética publicitária" esteja.



Existe uma publicidade forte no Sul do Brasil? Como é a publicidade paranaense?
Jorge: Curitiba e Porto Alegre são cidades extremamente ativas na produção publicitária. Várias agências gaúchas e parananeses detém contas nacionais importantes, e o mercado local também é muito ativo, criando e produzindo incessantemente. A Master Comunicação, por exemplo, agência curitibana com sedes em São Paulo, Rio e Brasília, é uma das mais criativas agências do país, e seus prêmios demonstram isso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Meus verdadeiros ídolos do cinema - Toninho Lima

Era 1967, se não me falha a memória. Dustin Hoffman era um moleque. Eu, mais ainda. O cinema já me encantava como poucas outras atividades de lazer. Já que sexo ainda estava fora de cogitação e futebol não era o meu forte.
Então, era cinema e livros. Mas, na fantasia, além do sexo que eu imaginava exercitar um dia, havia também os carrões. Desde o Pontiac cor de bronze metálico do meu pai, passando pelo elegante Karmann-Ghia bicolor da mãe do melhor amigo, e pelo clássico MG conversível que passava diariamente em frente ao meu edifício na Avenida Rui Barbosa.
Nesta época, fui assistir ao sucesso cinematográfico A Primeira Noite de Um Homem. Pois foi exatamente o detalhe que mais me chamou atenção no bom filme do Mike Nichols: o Alfa Romeo Spider vermelho do Dustin Hoffman.
Competindo ali, palmo a palmo, com as coxas da Mrs. Robinson, magistralmente interpretada pela estonteante Anne Bancroft. Duas atraentes impossibilidades num só filme.
Daí, não parei mais. Houve o Aston Martin prateado do Sean Connery perseguindo bandidos nos filmes de James Bond.
Quase expulsei a Ruth Gordon do banco do carona do belíssimo Jaguar XK que Harold dirigia pelas estradas sinuosas do interior em Ensina-me a Viver.
Enfim, os carros sempre foram astros à parte nos filmes que marcaram a minha vida. E olha que sou do tempo da Brigite Bardot, da Gina Lollobrigida e da Claudia Cardinalle. Quem disse que elas não me chamavam atenção? Carrões e mulheres sempre foram extremamente complementares. Em Um Golpe à Italiana, também de 1969, Michael Caine e seus
parceiros protagonizaram sequências memoráveis ao transportar milhões em barras de ouro pelas ruas de Turim a bordo de três Mini Cooper. Eles inclusive desciam escadas! Fui assistir o filme umas três vezes.
Nos filmes que frequentaram indistintamente meu vídeo-cassete ou na tv, também brilhavam grandes máquinas, como o belíssimo Ford 1948 em Grease - nos tempos da brilhantina, contracenando com John Travolta. Houve o Steve McQueen voando pelas ruas de São Francisco num belo Mustang verde em Bullitt. Aquele Mustang branco que Jean-Louis Trintignant testava velozmente nas pistas em Um Homem e Uma Mulher também me marcou muito. E, mesmo fora das telas, mas ainda no mundo do cinema, tenho que citar o Porsche 550 assassino que levou o jovem James Dean para a morte no auge do sucesso.
Ainda hoje fico de olho nos carrões em quase todos os filmes. Prefiro os clássicos. Sabe quando o herói é excêntrico e prefere desfilar num elegantésimo Cadillac conversível de estofamento creme e bordô? Pois é.
Nem sempre meus heróis inesquecíveis no cinema eram de carne e osso. Muitos foram e são de ferro e aço. Alguns, inclusive foram protagonistas, como o bom e velho fusca em Herbie. Adorei.

Steve McQueen estrelou sem saber uma campanha para o Ford Puma, que se utilizava de cenas da clássica perseguição pelas ruas de São Francisco em "Bullitt". A tecnologia digital permitiu a McQueen pilotar o novo carro até sua casa e estacionar ao lado do velho Mustang e da Triumph de "Fugindo do Inferno". Tudo embalado pelo tema que Lalo Schiffrin criou para o filme.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tem Itaú, paga meia.

Depois do futebol, chegou a vez dos cinéfilos de plantão. Agora os clientes do Banco Itaú e Itaucard tem desconto de 50% nos ingressos inteiros em 300 salas de cinema do país.
Para a promoção, a DPZ criou uma campanha que se utiliza de cenas clássicas do cinema explorando a ideia da divisão do valor da entrada. Estão lá o arqueiro que corta a maçã ao meio com uma flecha, o samurai partindo a moeda em duas com um golpe de espada e Moisés dividindo o Mar Vermelho. A produção é da O2 com direção de Luciano Moura e fotografia de Adriano Goldman.