sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Heitor Dahlia: cheiro de talento.

Prestes a ver a primeira cópia de seu novo longa-metragem, o drama "À deriva", sair do forno, o cineasta pernambucano Heitor Dhalia, diretor de "O cheiro do ralo", descolou um tempinho para relembrar ao CINEMA CURTO seu histórico como diretor de publicidade. Confira:

Cinema e publicidade são duas atividades radicalmente diferentes. Os objetivos e premissas diferem na essência. A base do cinema é a dramaturgia e a da publicidade é a fagulha criativa, a concisão de forma e conteúdo. São realmente dois mundos bem distintos, com regras e métodos de avaliação diferentes.
No entanto, estes dois mundos se tocam em algum lugar. Como, no Brasil, não existe industria de cinema ainda. A maioria dos técnicos de cinema vive da publicidade e eles trazendo suas experiências de um mundo para o outro. Hoje, a conexão entre estes dois mundos está mais frequente, tanto aqui como no exterior.
Sempre encaro a publicidade com um campo de experimentação rico. Onde posso experimentar e exercitar tanto o aspecto técnico quanto criativo de uma filmagem. Dois, exemplos, de comerciais que eu adorei fazer: O primeiro deles, um filme de carro, que se passava durante as queimas de carros na periferia francesa onde um grupo de jovens destruia e incendiava carros nas revoltas de 2005. O carro protagonista era poupado. Foi bem divertido realizar este filme, quebra-quebra, queima de carros, confusão fumaça. Filmamos com duas câmeras e foi bem legal, pude experimentar coisas que vou usar um dia em filme mais explosivo, digamos assim.
E o outro filme foi um spot de Coca-cola estilo Bollywood.

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O comercial segue o estilo "Slummdog Milionarie" (filme do diretor inglês Danny Boyle indicado a dez Oscars). Foi bem engraçado, um casting incrível, figurinos divertidos, coreografias hilárias. Eu me diverti bastante.
Meu comercial favorito foi dirigido pelo Ridley Scott. Lançamento do Macintosh. O ano de lançamento do filme é 1984. O filme retrata o mundo previsto pelo livro "1984" (de George Orwell), no qual o mundo é controlado pelo Big Brother. Nele, todos são iguais sob a dominação chata do Big Brother, alusão à IMB da época. Entra uma mulher correndo por um galpão cheio de pessoas vestidas uniformeente. Ela tem um cabelo visionário, à la Blade Runner, e corre com um martelo gigante na mão em direção ao Big Brother, uma tela eletrônica. Ela lança o martelo e destroi a dominação de um mundo sombrio. Mensagem: 1984 não vai ser igual a "1984". Macintosh. Genial. Adoro.


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Veja no BlueBus o vídeo do jovem Steve Jobs apresentando o filme "1984"