quinta-feira, 12 de março de 2009

Alexandre Machado: Ser normal é ser pop.

Celebrizado na TV como roteirista da série "Os normais", cujos personagens novamente baterão ponto novamente nos cinemas ainda este ano, Alexandre Machado é um dos criativos mais concorridos da publicidade brasileira, com prêmios no Brasil e no exterior. Nesta entrevista, ele fala de influências, tendências, comerciais e do lado mais pop da arte publicitária.

Arte e publicidade são termos gêmeos ou são expressões que se repelem? Você já escreveu comerciais como se escrevesse cinema?
ALEXANDRE MACHADO: Cinema e publicidade fazem parte da cultura pop. Um influencia o outro, sem hierarquia. Eu escrevo um roteiro para cinema fazendo a mesma coisa que faço quando escrevo para a TV ou para a propaganda: dando o melhor de mim.

Queria que você me desse um panorama geral da tua experiência publicitária: quantos filmes?; quantos prêmios?; quantas lições?; e quantos amigos?
MACHADO: Não tenho a menor ideia. Milhares de filmes, milhões de prêmios, algumas lições, pouquíssimos amigos.


"A Semana" - Revista Época - Grand Prix Clio Awards 2000, criação de Alexandre e Jarbas Agnelli para a W/Brasil.

De que maneira a irreverência do "Planeta Diário" e do "Casseta" moldaram o teu estilo de diálogo para roteiros, tanto na dramaturgia quanto na publicidade? Em que medida a publicidade te ensinou a dominar melhor o humor?
MACHADO: Eu escrevia no "Planeta Diário", mas nunca fui do grupo. Meu estilo, acho, já vem de antes, quando eu escrevia no "Pasquim".

Que comerciais mais te influenciaram? Você tem um comercial favorito (seja teu ou de outros publicitários)?
MACHADO: Os comerciais dirigidos pelo Dodi (Dorian Taterka) em sua "época de ouro" ("Shell Responde", "Fiat", "US Top" etc) foram os que mais mexeram comigo.

O primeiro filme da série Shell Responde.
video

"Os normais" voltam às telas este ano. Que potencialidades dramáticas (cômicas) o casal Ruy e Vani te oferece no trânsito da TV para o cinema?
MACHADO: Bons diálogos, cenas rápidas, verossimelhança e identificação com o público.

De que maneira a experiência em publicidade pode favorecer o cinema no âmbito do mercado? O que poderia ser melhorado na publicidade cinematográfica nacional?
MACHADO: O mercado de propaganda salvou os profissionais do cinema, nas épocas de vacas magras. E os treinou para serem competitivos internacionalmente, hoje.

Que filmes foram essenciais na tua formação como cinéfilo?
MACHADO: "Apocalipse Now", "A primeira noite de um homem" e "Deu a louca no mundo".

Você sente traços de autoralidade nos trabalhos que fez para a TV?
MACHADO: Sinto, e espero que os outros também sintam. Adoro o veículo TV e é nele que atinjo o meu melhor, como profissional.