terça-feira, 11 de agosto de 2009

Meus verdadeiros ídolos do cinema - Toninho Lima

Era 1967, se não me falha a memória. Dustin Hoffman era um moleque. Eu, mais ainda. O cinema já me encantava como poucas outras atividades de lazer. Já que sexo ainda estava fora de cogitação e futebol não era o meu forte.
Então, era cinema e livros. Mas, na fantasia, além do sexo que eu imaginava exercitar um dia, havia também os carrões. Desde o Pontiac cor de bronze metálico do meu pai, passando pelo elegante Karmann-Ghia bicolor da mãe do melhor amigo, e pelo clássico MG conversível que passava diariamente em frente ao meu edifício na Avenida Rui Barbosa.
Nesta época, fui assistir ao sucesso cinematográfico A Primeira Noite de Um Homem. Pois foi exatamente o detalhe que mais me chamou atenção no bom filme do Mike Nichols: o Alfa Romeo Spider vermelho do Dustin Hoffman.
Competindo ali, palmo a palmo, com as coxas da Mrs. Robinson, magistralmente interpretada pela estonteante Anne Bancroft. Duas atraentes impossibilidades num só filme.
Daí, não parei mais. Houve o Aston Martin prateado do Sean Connery perseguindo bandidos nos filmes de James Bond.
Quase expulsei a Ruth Gordon do banco do carona do belíssimo Jaguar XK que Harold dirigia pelas estradas sinuosas do interior em Ensina-me a Viver.
Enfim, os carros sempre foram astros à parte nos filmes que marcaram a minha vida. E olha que sou do tempo da Brigite Bardot, da Gina Lollobrigida e da Claudia Cardinalle. Quem disse que elas não me chamavam atenção? Carrões e mulheres sempre foram extremamente complementares. Em Um Golpe à Italiana, também de 1969, Michael Caine e seus
parceiros protagonizaram sequências memoráveis ao transportar milhões em barras de ouro pelas ruas de Turim a bordo de três Mini Cooper. Eles inclusive desciam escadas! Fui assistir o filme umas três vezes.
Nos filmes que frequentaram indistintamente meu vídeo-cassete ou na tv, também brilhavam grandes máquinas, como o belíssimo Ford 1948 em Grease - nos tempos da brilhantina, contracenando com John Travolta. Houve o Steve McQueen voando pelas ruas de São Francisco num belo Mustang verde em Bullitt. Aquele Mustang branco que Jean-Louis Trintignant testava velozmente nas pistas em Um Homem e Uma Mulher também me marcou muito. E, mesmo fora das telas, mas ainda no mundo do cinema, tenho que citar o Porsche 550 assassino que levou o jovem James Dean para a morte no auge do sucesso.
Ainda hoje fico de olho nos carrões em quase todos os filmes. Prefiro os clássicos. Sabe quando o herói é excêntrico e prefere desfilar num elegantésimo Cadillac conversível de estofamento creme e bordô? Pois é.
Nem sempre meus heróis inesquecíveis no cinema eram de carne e osso. Muitos foram e são de ferro e aço. Alguns, inclusive foram protagonistas, como o bom e velho fusca em Herbie. Adorei.

Steve McQueen estrelou sem saber uma campanha para o Ford Puma, que se utilizava de cenas da clássica perseguição pelas ruas de São Francisco em "Bullitt". A tecnologia digital permitiu a McQueen pilotar o novo carro até sua casa e estacionar ao lado do velho Mustang e da Triumph de "Fugindo do Inferno". Tudo embalado pelo tema que Lalo Schiffrin criou para o filme.