domingo, 14 de março de 2010

Toninho Lima viu um avatarzinho.


Depois da surra que James Cameron tomou da patroa na entrega do Oscar, é a vez de Toninho Lima bater...

EU ACHO QUE VI UM AVATARZINHO...

A justiça, mesmo em território brasileiro, às vezes até tarda, mas não falha. Taí o Arruda na cadeia para comprovar. Mas, não. Não vamos falar de Brasília e nem muito menos de Brasil. Vamos falar de Los Angeles. Mais precisamente, Hollywood. E sua cada vez mais feérica festa de entrega do Oscar. Foi bacana, claro. Os caras capricham, gastam os tubos, fazem um show de tecnologia e de arte. Meio cafonão, claro. Mas são os americanos, gente.
Isso é a festa. O luxo, as fofocas, os vestidos das estrelas, os terninhos moderninhos e enxovalhados dos astros, o público do lado de fora, babando no Tapete Vermelho.
Mas vamos enquadrar um pouco mais ali, ao centro da coisa: os premiados. Melhor ainda: os não premiados. Todo mundo que eu conheço viu e adorou Avatar. Todo mundo disse que era uma obra-prima e que eu tinha que ir ver. Eu fui. Quase dormi numa boa parte da historinha. Mas é Oscar de melhor filme garantido, me afiançaram. Porra, não entendo mesmo nada de cinema, pensei comigo. Minha filha adorou. Gostou da mensagem, adorou o 3D. O Veríssimo, na sua coluna, fez uma análise sócio-política bem parecida com a que minha filha narrou ao sair do cinema. O Jabor também falou bem do filme, se não me engano. Como é que eu, um toninholimazinho qualquer, poderia criticar um filme que é candidato certo a pelo menos umas dez estatuetas do Oscar? Saí do cinema calado e pensativo. Gostou?, perguntou minha mulher. Muito bom, né pai?, emendou minha filha. É, mas achei um pouquinho... sei lá... decepcionante. Covardia pura. Não quis dizer, de imediato que o filme do Cameron não me bateu. Em nada. Nem nos efeitos especiais, nem no 3D, nem mesmo nas lindas florestas formadas por cabos de fibras óticas adpatáveis às trancinhas das criaturinhas Na’vi. Achei o filme longo, óbvio, cansativo e... tirem as crianças e os sociólogos de Ong da sala, por favor: achei muuuuuuuiiiito gay!


Francamente, aquele povinho azul era o suprassumo da bichice. Aquela mensagenzinha antibélica, aqueles discursos de hippies de 1968, aquela filosofia barata de revista Sabrina. Tudo no filme soa manjado e absolutamente esperado. Tudo aconteceu exatamente como eu imaginei desde a metade do filme. Tão certo quanto o Titanic afundaria, só que sem a grandeza e a tensão do outro filme.
Sei que minha voz ecoará no deserto, mas não gritei sozinho. Os jurados da 82ª edição Prêmio da Academia também só acordaram no finalzinho da fita. Disfarçaram, bateram palmas para a fotografia e os efeitos especiais e se retiraram para premiar o que realmente valia a pena. Ganhou a ex-mulher; coisa desagradável para nós homens. Mas foi justo. Avatar terá, com certeza, suas continuações. Duas, três, até se transformar em desenho animado na tv, bonequinhos Na’vi nas lojas e joguinhos na internet. Na faixa de areia da praia de Ipanema, mais precisamente na Farme, ele já virou bordão. Em vez do clássico “Tô bege”, as alegres criaturas locais já adotaram o estilo das delicadas e graciosas criaturinhas Na’vi: “Tô azul Avatar”, dizem agora. E eu concluo que não fui nem tanto anti Cameron e nem tão homofóbico na minha sincera e espontânea análise do filme.
Guerra Ao Terror não parece filme. Tem ritmo e linguagem de documentário. Pode ser bem chato de assistir. Mas, cá entre nós, exatamente por estas características, saiu do lugar comum. Mereceu, mais do que Avatar.
Agora, James, só resta a você cortar a pensão dela.